A recarga dos mananciais que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo — do fim de outubro até agora — terminou com um saldo aquém do esperado, o que se traduz diretamente em maior risco de falta de água para o comércio, serviços e atividades urbanas ao longo dos próximos meses.

O SMI (Sistema Metropolitano Integrado) ganhou apenas 5,5% em volume de água armazenada, desempenho fraco para a primavera-verão, período em que normalmente ocorre a recomposição mais relevante dos reservatórios.

No conjunto, o quadro é ainda mais preocupante. O Sistema Cantareira perdeu quase 2% de volume no período, enquanto o Sistema Alto Tietê teve recuperação de cerca de 7%. Em termos práticos, a melhora é insuficiente para garantir segurança hídrica até a primavera, quando se inicia um novo período de chuvas.

O período primavera-verão concentra o principal “ganho estrutural” dos reservatórios. Quando essa janela falha, o sistema entra no outono com níveis baixos e pouca margem de manobra.

A tendência é de que a situação não melhore até meados de março, quando se inicia o período seco, elevando a probabilidade de medidas operacionais mais restritivas.

A causa é objetiva: chuvas abaixo da média em sistemas como o Cantareira e Alto Tietê limitaram o aporte de água aos reservatórios. Mesmo episódios pontuais de chuva mais intensa não foram suficientes para reverter o quadro, seja pela má distribuição no tempo, seja pela baixa eficiência de recarga.

O horizonte prospectivo oferece um possível alívio apenas mais adiante. Um eventual retorno do El Niño no segundo semestre pode alterar o regime de chuvas no Sudeste, mas, se confirmado, seus efeitos práticos só começariam a ser percebidos a partir de outubro, com a reabertura da janela de recarga.

Até lá, o cenário mais provável é o de outono e inverno com o sistema operando em níveis baixos.

Na prática, isso amplia o risco de restrições no abastecimento, com reduções de pressão na rede por períodos mais longos. O efeito atinge diretamente residências e o funcionamento de bares, restaurantes, lavanderias, hospitais, escolas, comércio de rua e serviços intensivos em água.

O resultado é aumento de custos operacionais e menor previsibilidade para a atividade econômica urbana.

A hidrologia fraca passa a funcionar como um stress test da infraestrutura urbana.

Sem uma reversão climática relevante antes da primavera, a Grande São Paulo atravessará os próximos meses com risco concreto de escassez operacional, impacto direto sobre o comércio e a prestação de serviços — e pouco espaço para erro na gestão do abastecimento.



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