A juíza Vanessa Cavalieri, da Vara de Infância e Juventude do Rio de Janeiro, alertou em entrevista à CNN Brasil que casos semelhantes ao do cão Orelha não são episódios isolados, mas fazem parte de uma realidade preocupante que ocorre diariamente em plataformas digitais.

Segundo a especialista, a tortura de animais, principalmente cães e gatos, acontece todas as noites em chamadas de vídeo e grupos conhecidos como “panelas”, onde adolescentes e jovens adultos se reúnem para praticar e compartilhar atos de violência extrema. “Por mais que este caso tenha viralizado e comovido a sociedade, a gente tem acompanhado a realidade de torturas de animais especialmente cães e gatos, que vem acontecendo diariamente, todas as noites”, afirmou Cavalieri.

Escalada da violência digital

A juíza revelou que há cerca de dois anos e meio as autoridades vêm monitorando esses grupos, que buscam cada vez mais praticar atos de extrema violência transmitidos ao vivo para outros usuários. Ela citou como exemplo um caso ocorrido no Rio de Janeiro no ano passado, quando um morador de rua foi incendiado vivo durante uma transmissão ao vivo em uma dessas chamadas

Um aspecto particularmente alarmante destacado por Cavalieri é que a maioria dos usuários dessas plataformas são adolescentes e, em alguns casos, até crianças, embora o Discord tenha idade mínima de 18 anos para acesso. “Uma coisa que nos impressiona muito é que, na maioria das vezes, os usuários dessa plataforma, desses grupos extremistas no Discord, são adolescentes, às vezes até crianças”, destacou.

A especialista também chamou atenção para o fenômeno da dessensibilização em relação à violência extrema, que estaria afetando uma geração inteira de jovens expostos diariamente a conteúdos violentos na internet. Segundo ela, isso tem reflexos no aumento de casos de bullying nas escolas e até mesmo na violência doméstica de filhos contra mães e avós.

Cavalieri enfatizou a necessidade de maior supervisão por parte dos pais sobre as atividades online dos filhos. “Os pais precisam monitorar, supervisionar aquilo que os filhos estão fazendo no ambiente virtual”, alertou, lembrando que crianças e adolescentes não compram seus próprios celulares nem pagam suas contas, sendo responsabilidade dos adultos monitorar o uso desses dispositivos.

A juíza mencionou ainda a expectativa em relação ao ECA Digital, que entrará em vigor em março deste ano e trará medidas como a verificação de idade para evitar que usuários abaixo da idade mínima acessem determinadas plataformas. Para ela, além da punição dos responsáveis por atos de violência, é fundamental trabalhar na prevenção para evitar que novos casos aconteçam.



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