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O presidente Donald Trump pediu que os republicanos “nacionalizem a votação” em uma entrevista exibida na segunda-feira (3), enquanto o governo pressiona por uma reformulação das regras eleitorais antes das decisivas eleições de meio de mandato deste ano.

“Os republicanos deveriam dizer: queremos assumir o controle, deveríamos assumir o controle da votação, da votação em pelo menos muitos, 15 lugares. Os republicanos deveriam nacionalizar a votação”, disse Trump a Dan Bongino, ex-diretor adjunto do FBI, durante uma participação em um podcast.

Os comentários do presidente ocorrem menos de uma semana depois de o FBI ter realizado uma busca em um escritório eleitoral no condado de Fulton, na Geórgia, que há muito tempo é um ponto central das alegações infundadas de Trump de que sua derrota para Joe Biden em 2020 teria sido fraudulenta.

A busca esteve relacionada a um esforço do Departamento de Justiça para apreender registros eleitorais e investigar suposta fraude eleitoral no condado, informou anteriormente a CNN.

“Temos estados que são muito corruptos e estão contando votos. Temos estados que eu ganhei, que mostram que eu não ganhei”, alegou Trump. “Agora vocês vão ver algo na Geórgia, onde eles conseguiram, com uma ordem judicial, as cédulas. Vocês vão ver algumas coisas interessantes surgirem.”

A diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, disse que o próprio Trump a orientou a ir a Atlanta para a busca controversa. Como sinal de seu envolvimento e interesse na investigação, Gabbard colocou o presidente ao telefone com alguns dos agentes do FBI envolvidos na operação, segundo duas fontes familiarizadas com a ligação — uma delas afirmou que a conversa consistiu em um breve “discurso motivacional”.

A Casa Branca afirmou na terça-feira que Trump estava se referindo à necessidade de uma exigência nacional de identificação do eleitor quando pediu aos republicanos que “nacionalizassem a votação”.

“O que o presidente estava se referindo é à Lei SAVE”, disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt a repórteres, acrescentando que Trump havia conversado com líderes republicanos no Congresso sobre a legislação, que exigiria comprovação de cidadania para se registrar para votar. “Ela prevê medidas de bom senso para a votação em nosso país, como a identificação do eleitor.”

Leavitt disse que o comentário de Trump sobre assumir o controle da votação em 15 lugares também estava ligado ao seu desejo por uma lei de identificação do eleitor, insistindo que ele se referia a estados onde acredita haver um “alto grau” de fraude eleitoral.

Críticos alertaram que a Lei SAVE ameaça restringir o acesso ao voto ao criar obstáculos desnecessários que tornarão mais difícil o registro para votar e poderão privar injustamente eleitores legítimos de seus direitos.

As eleições são administradas por autoridades estaduais e locais, com o governo federal desempenhando apenas um papel limitado. Mas isso não impediu Trump de tentar reformular a forma como as eleições são conduzidas.

No ano passado, ele assinou uma ordem executiva buscando exigir que eleitores apresentem prova de cidadania dos EUA ao se registrarem para votar e proibindo estados de contar cédulas enviadas pelo correio que cheguem após o dia da eleição. Embora tenha sido parcialmente bloqueada na Justiça federal, cidadãos não americanos já são proibidos de votar em eleições federais.

Em várias ocasiões, Trump prometeu mudar a forma como o país vota, concentrando-se em métodos que ele afirma falsamente levarem a votos fraudulentos. Em agosto, disse que iria “liderar um movimento” para acabar com o voto por correio e prometeu assinar uma ordem executiva banindo essa prática, além das máquinas de votação. Ele acabou não assinando a ordem.

O presidente também iniciou uma rara campanha de redistritamento no meio da década, com o objetivo de ajudar os republicanos a conquistar assentos adicionais na Câmara dos Representantes dos EUA nas eleições de meio de mandato de novembro.

O Departamento de Justiça, que tem amplificado alegações — sem evidências independentes — de que imigrantes indocumentados se infiltraram nas eleições dos EUA, processou duas dúzias de estados para obter listas completas de eleitores, incluindo informações pessoais como números da Previdência Social e endereços residenciais.

Alguns autoridades eleitorais democratas passaram a se preparar para uma possível interferência do governo federal nas eleições de meio de mandato. O secretário de Estado de Minnesota, Steve Simon, disse à CNN no fim do mês passado que ele e seus colegas discutiram uma série de medidas, desde proteger eleitores de interações com agentes federais da lei nos locais de votação até lidar com a pressão da administração por acesso a informações pessoais de dezenas de milhões de eleitores.

“Isso agora é uma categoria legítima de planejamento. É extraordinariamente triste, mas seria irresponsável da nossa parte desconsiderar essa possibilidade”, disse Simon durante a reunião anual de inverno da Associação Nacional de Secretários de Estado.

Secretários de Estado democratas afirmaram que relutam em fornecer detalhes explícitos sobre seu planejamento antecipado por receio de alarmar eleitores ou oferecer um roteiro a possíveis agentes mal-intencionados. Mas disseram que seus preparativos estão evoluindo diante dos riscos inéditos apresentados pela administração.



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