Portugal realiza neste domingo (8) o segundo turno das eleições presidenciais, marcando um momento inédito na história democrática do país, com a disputa entre António José Seguro, candidato de esquerda, e André Ventura, representante da direita.
A eleição ocorre em um cenário político complexo, onde pela primeira vez em 50 anos de democracia portuguesa, o segundo turno não é disputado entre candidatos do centro-esquerda e centro-direita. Segundo Miguel Relvas, comentarista da CNN Portugal, o país vive uma nova realidade política, com a direita dividida.
O pleito acontece em meio a uma crise climática que atingiu Portugal recentemente, com tempestades que causaram danos estimados em cerca de 10 bilhões de euros. Esta situação deve contribuir para uma alta abstenção, que pode chegar a 60% dos eleitores, comparável apenas à eleição realizada durante a pandemia de Covid-19.
Cenário político e favoritismo
António José Seguro, afastado da vida política nos últimos dez anos, surge como favorito para vencer a eleição. Conforme explicado por Relvas, “ele já sabe que vai ser presidente, só não sabe por quanto que vai ser eleito”, referindo-se à margem de vitória que definirá o impacto do resultado no sistema político português.
A candidatura de André Ventura, líder do partido Chega, representa um desafio ao sistema tradicional. Com um discurso anti-imigração e contra o establishment, Ventura lidera um partido que já é a segunda força no Parlamento português, resultado das eleições legislativas realizadas há menos de um ano.
Impacto na governabilidade
O resultado desta eleição terá consequências diretas no sistema político português, que atualmente conta com um governo de centro-direita em minoria no Parlamento. Este governo precisa negociar ora com o Partido Socialista (esquerda), ora com o Chega (direita) para aprovar suas propostas.
Portugal adota um sistema semipresidencialista, onde o Presidente da República, embora não governe diretamente, possui poderes significativos, incluindo a possibilidade de dissolver o Parlamento quando não há maioria parlamentar. Esta característica torna a eleição presidencial especialmente relevante no atual contexto de fragmentação política.
A eleição também ocorre em um momento em que o governo é criticado pela resposta inicial às recentes tragédias climáticas no país, o que pode influenciar o humor do eleitorado. Miguel Relvas destacou que “o grau de exigência é elevado e cabe aos políticos serem capazes de estar à altura das responsabilidades”.