Anúncio


O Partido Liberal (PL) protocolou nesta quinta-feira (19) um pedido de produção antecipada de provas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem acusa de abuso de poder político e econômico no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, no Carnaval de 2026.

A legenda sustenta que a apresentação, que teve enredo em homenagem a Lula, se transformou em um “ato político-eleitoral” em ano de eleição presidencial, bancado majoritariamente com recursos públicos e com ingerência direta do Palácio do Planalto.

Assinada pela ex-ministra do TSE Maria Claudia Bucchianeri, a petição é dirigida ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, e tem como alvo Lula, descrito pelo partido como presidente da República e pré-candidato declarado à reeleição em 2026.

O PL não pede, por ora, punição ao petista, mas busca resguardar documentos e informações para embasar uma futura Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) com base no artigo 22 da Lei Complementar 64/1990.

No texto, o partido afirma que o desfile da Acadêmicos de Niterói — com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança – Lula, o operário do Brasil” — extrapolou os limites da manifestação cultural e se converteu em “peça de marketing político-biográfico”, com exaltação do presidente e ataque a adversários.

O PL aponta a presença de elementos típicos de campanha, como referências ao jingle “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, menções ao número 13, destaque à estrela vermelha do PT e alas dedicadas a propostas do governo, como o fim da escala 6×1 e a taxação de super-ricos, bancos e casas de apostas.

O pedido também alega que o evento promoveu “desconstrução da imagem” de opositores, em especial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), citando alegorias com um palhaço de faixa presidencial fazendo o gesto de arma diante de cruzes alusivas às mortes por Covid-19 e uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, que retratava “família tradicional” e figuras ligadas ao conservadorismo, como fazendeiros e pastores evangélicos.

Para o PL, tratou-se de “crítica grosseira” a um segmento social associado à oposição e de um quadro “limítrofe à intolerância religiosa”.

A legenda descreve uma “engenharia financeira opaca” e fala em “quebra de padrão administrativo” no financiamento da escola. Entre os pontos citados estão a lei municipal que autorizou repasse de R$ 4 milhões da Prefeitura de Niterói à agremiação em 2026 — o dobro do valor destinado no ano anterior — e o aporte de R$ 1 milhão via convênio de R$ 12 milhões entre a Embratur e a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), questionado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sob suspeita de desvio de finalidade.

O PL também quer apurar patrocínios privados, mencionando relatos de que a primeira-dama Janja da Silva teria “passado o chapéu” entre empresários próximos ao governo para arrecadar recursos em favor da Acadêmicos de Niterói.

A peça cita colunas e reportagens que atribuem à estrutura da Presidência da República a prospecção de doações junto a banqueiros e empresários com interesses ou contratos com o governo federal, além de atuação na lista de convidados de alas e camarotes.

O partido aponta ainda suposta interferência do Planalto na concepção artística do desfile, inclusive com mudanças em alas que fariam referências a Bolsonaro, e destaca a participação ativa de Lula e Janja nos bastidores e na avenida.

O texto registra que o presidente, que não havia ido à Sapucaí em outros anos de mandato, assistiu ao desfile em camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, onde dois dos três andares teriam sido reservados para convidados do casal, e depois desceu para acompanhar a apresentação de perto.

A legenda resgata trechos de manifestações de ministros do TSE quando a Corte analisou, antes do Carnaval, ações que pediam a suspensão do desfile e foram rejeitadas em caráter liminar.

O documento ressalta declarações dos ministros André Mendonça e Cármen Lúcia sobre o risco de “excessos e abusos” no uso de recursos públicos em homenagem a pré-candidato em festa de grande visibilidade e reforça que a própria Corte admitiu que eventuais ilícitos deveriam ser apurados “a posteriori”.

O PL pede, também, acesso consolidado a todos os gastos públicos ligados ao Carnaval carioca de 2023 a 2026, à lista de convidados do camarote da prefeitura no dia do desfile e a dados detalhados de audiência e engajamento nas transmissões e redes sociais para medir o alcance eleitoral do evento.

Para o partido, há “fundados indícios” de abuso de poder político e econômico capaz de afetar a “normalidade e legitimidade” da disputa presidencial de 2026, em um cenário que classifica como “inédito” na política brasileira.

A legenda afirma que busca apenas preservar provas e “garantir a paridade de armas” entre candidatos, deixando para um segundo momento o eventual ajuizamento da AIJE com pedido de cassação e inelegibilidade.



Source link

Últimas Notícias

plugins premium WordPress

MENU

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Programa Ganhando o Mundo conclui etapa de intercâmbio agrícola nos EUA

Presidente da Adapar aponta presença da Copel como importante suporte ao produtor rural

Estado e Prefeitura assinam convênio para construção do Hospital da Região Norte

Sanepar patrocina 15ª edição do Olhar de Cinema de Curitiba

Ratinho Junior inaugura residencial com 320 unidades em Londrina, no Norte do Estado

Adapar certifica produtores com Susaf e leva boas práticas do campo para a Expoingá

PR-445 terá detonação de rochas entre distritos de Londrina na próxima sexta-feira

Perto da Copa do Mundo, Saúde reforça vacinação contra o sarampo para viajantes

Bodyscans da Polícia Penal reforçam bloqueio de drogas em penitenciárias da RMC

Planeta Água: museu interativo da Sanepar já recebeu mais de 100 mil pessoas