A declaração do rei Charles III sobre a prisão do ex-príncipe Andrew foi rápida e forte. As autoridades têm “nosso total e incondicional apoio e cooperação”, dizia o texto, e “a lei deve seguir seu curso”.

Horas antes, o irmão dele havia sido preso em casa em uma propriedade privada pertencente à monarquia – Sandringham, ao norte de Londres. Mesmo para os padrões de uma família acostumada a controvérsias, foi uma medida surpreendente.

Breve, com pouco mais de 100 palavras, a resposta do rei não poderia ter sido mais clara. “Minha família e eu continuaremos cumprindo nosso dever e servindo a todos vocês”, concluiu. Tradução: Colocarei meu dever para com o país acima de qualquer simpatia residual que eu possa ter por meu irmão mais novo.

Entende-se que o príncipe William e Kate Middleton, princesa de Gales, apoiaram a declaração – os integrantes mais importantes da família real unidos nessa estratégia.

As táticas do rei ao lidar com as alegações envolvendo Andrew contrastam com as de sua falecida mãe, a rainha Elizabeth II.

Andrew era, segundo relatos, seu filho favorito, e críticos já afirmaram que ela não agiu com rapidez suficiente para responsabilizar Mountbatten-Windsor pelas repercussões de sua amizade com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.

Muitos questionaram por que ela permitiu que ele usasse o Palácio de Buckingham como local de sua desastrosa entrevista à BBC em 2019, na qual tentou se esquivar das acusações de má conduta.

Outros perguntaram por que a rainha teria fornecido milhões a Andrew para encerrar o processo civil por agressão sexual movido por Virginia Giuffre em 2021.

Apesar do pagamento, Andrew sempre negou todas as acusações de Giuffre e disse não se lembrar de tê-la conhecido, apesar de ter tirado uma foto com ela.

Em contraste, o rei Charles tem sido mais decisivo em relação ao seu irmão desde que ascendeu ao trono em 2022.

Ele já vinha explorando opções para tirar Andrew de sua residência em Windsor muito antes de retirar o título de príncipe do irmão e expulsá-lo da propriedade real em outubro.

Curiosamente, Charles não classificou explicitamente Andrew Mountbatten-Windsor como seu irmão na declaração divulgada na quinta-feira (19).

A prisão sob suspeita de má conduta em cargo público não indica, obviamente, culpa, mas marca mais um momento extraordinário na longa decadência de Andrew.

A polícia afirma que continua sob investigação após ter sido liberado. Nenhuma acusação foi formalizada.

Andrew não se manifesta sobre Arquivos Epstein

O ex-príncipe não se manifestou publicamente sobre as últimas alegações que surgiram após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar milhões de documentos relacionados a Jeffrey Epstein.

Mountbatten-Windsor negou repetidamente todas as acusações de irregularidades e afirmou que nunca testemunhou ou suspeitou de qualquer comportamento do qual Epstein foi acusado.

Ele não comentou as recentes alegações de má conduta em cargo público.

Mas os eventos de quinta-feira (19), que começaram com a chegada antecipada de uma comitiva de veículos policiais descaracterizados à residência temporária de Andrew na propriedade de Sandringham, no dia do seu 66º aniversário, deixaram a família real britânica diante de uma das suas maiores crises em décadas.

De certa forma, o ocorrido foi chocante, mas não totalmente surpreendente, dado o crescente peso das acusações contra Andrew, que lançam uma sombra sobre toda a família há anos.

O palácio afirmou claramente na semana passada que Charles apoiaria as autoridades nas investigações. Se solicitado, isso significa que o palácio poderia permitir que a polícia tivesse acesso a quaisquer comunicações internas entre Andrew e outras pessoas.

Família real enfrenta um “grande problema”

Acredita-se que Charles e Andrew não eram particularmente próximos durante a infância, dada a diferença de idade de 11 anos entre eles. Sabe-se que o rei tem um vínculo mais forte com a irmã, a princesa Anne.

Os irmãos talvez tenham sido mais próximos na década de 1980, depois que Charles se casou com Diana e Andrew com Sarah Ferguson, já que as duas mulheres eram conhecidas por serem boas amigas.

“Embora o relacionamento tenha se tornado mais distante nos últimos anos, quando eram mais jovens, faziam parte da família real juntos, se conheciam muito bem e suas famílias eram próximas”, relatou a historiadora da realeza Kate Williams à CNN.

Ela também afirmou que a família agora enfrenta um enorme problema: o afastamento de Andrew.

Assim, a especialista prevê que o público poderá exigir mais transparência do rei e de toda a família daqui para frente.

“A pergunta que será feita com mais frequência será: ‘O que Charles sabia?’ E acho que as pessoas começarão a perguntar: ‘O que William sabia?’”, pontuou Kate Williams.

“Este será o maior desafio que a família real enfrentará desde a morte de Diana”, adicionou.

O comentarista da realeza Sandro Monetti disse que “a questão de Andrew definiu, e definirá, todo o reinado do rei Charles”.

“Apesar de tudo o que foi tirado de Andrew, gostaria de salientar que ele ainda é o oitavo na linha de sucessão ao trono”, acrescentou Monetti, antes de sugerir que pedidos para que isso mude poderão ser ouvidos no Parlamento nos próximos dias.

“As ações de que ele é acusado colocam em risco todo o futuro da monarquia”, afirmou.



Source link

Últimas Notícias

plugins premium WordPress

MENU

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DDG reforça caixa e reduz risco no etanol de milho | Blogs | CNN Brasil

Entenda as leis americanas que Trump usa para aplicar o “tarifaço”

Idosa sofre golpe de mais de R$ 750 mil de quadrilha em SP; três são presos

Como Epstein usou cientistas de Harvard para melhorar sua reputação

Atlético de Madrid x Espanyol: horário e onde assistir ao jogo da LaLiga

Caminhão em más condições é apreendido em Cascavel – catve.com

Ainda dá tempo: três exposições deixam catálogo do MON no domingo

53% dos acidentes de trabalho foram com população negra em 2024

Motorista abandona veículo com 3 mil cigarros eletrônicos após fuga na BR-163 – catve.com

PT dá como certa candidatura de Haddad ao governo de SP | Blogs | CNN Brasil