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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse, em Nova Délhi, na Índia, que o embate entre a Suprema Corte e o presidente Donald Trump sobre as tarifas americanas não afeta a competitividade dos produtos brasileiros e pode até acelerar um acordo entre Brasil e Estados Unidos.

Nossa competitividade não é afetada, como já não era. Nós dissemos desde sempre que isso ia prejudicar o consumidor americano. Eles foram paulatinamente revendo as tarifas sobre vários produtos, sobretudo os de consumo de massa, mas nós já tínhamos a percepção de que nós íamos chegar a bom termo”, afirmou ele.

Haddad demonstrou otimismo em relação ao processo de negociações com relação aos produtos brasileiros afetados pelo tarifaço de Trump, apesar de destacar que ainda não há um desfecho na disputa entre a Suprema Corte e o poder executivo americano.

“Vamos ver quais vão ser os próximos passos do governo americano, mas independentemente da reação do executivo à decisão do judiciário lá, nós temos certeza de que nós estamos construindo uma ponte robusta para restabelecer a normalidade das nossas relações. Nós vamos compreender primeiro o alcance da decisão que foi tomada, mas o nosso curso está definido desde o primeiro momento pelo presidente Lula”, disse ele.

O ministro da Fazenda, que está em Délhi participando da visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, disse que o embate e os movimentos diplomáticos brasileiros devem acelerar as negociações.

“Eu penso que esse processo vai se acelerar agora e tudo o que nós queremos é, em relação à Ásia, em relação à Europa, em relação aos Estados Unidos, ter parcerias maduras, com vantagens mútuas, não pode ser bom para um lado e ruim para o outro”, disse.

Ele reconheceu, no entanto, que a incerteza sobre como ficarão as tarifas no longo prazo afeta um pouco a situação econômica e o diálogo com os americanos.

“Afeta um pouco, mas eu penso que está durando pouco. Nós estamos colhendo frutos da ação diplomática brasileira com uma velocidade razoável. Obviamente que não queríamos estar passando por isso, mas eu penso que, diante do desafio, o Brasil e a diplomacia brasileira andaram bem”, disse.

Suprema Corte dos EUA decide contra tarifas de Trump

Nesta sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o presidente Donald Trump violou a lei federal ao impor unilateralmente tarifas abrangentes contra vários países.

A decisão é a derrota mais importante sofrida pelo segundo mandato de Trump na Suprema Corte, que no ano passado se posicionou repetidamente a favor do presidente em uma série de decisões de emergência sobre imigração, a demissão de chefes de agências independentes e cortes profundos nos gastos do governo.

O presidente da Suprema Corte, John Roberts, escreveu a opinião da maioria, e a Corte concordou por 6 a 3 que as tarifas excederam a lei. A Corte, no entanto, não se pronunciou sobre o que deve ser feito com os mais de US$ 130 bilhões em tarifas já arrecadadas.

Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova tarifa global de 10%. A taxa será aplicada por meio da seção 122 do Ato do Comércio de 1974 depois da Suprema Corte barrar o uso da Lei de Poderes Econômicos e Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês).



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