O embarque de DDG — farelo concentrado do etanol de milho — para a China altera a equação financeira das usinas brasileiras. O movimento não é apenas comercial; é estrutural. Ao ganhar mercado externo e referência internacional de preço, o coproduto deixa de ser acessório industrial e passa a compor o núcleo da geração de caixa. 

Até aqui, a receita das plantas de milho era predominantemente ancorada no etanol, altamente sensível ao preço da gasolina, à política tributária e ao consumo doméstico. O DDG, vendido majoritariamente no mercado interno, funcionava como complemento. Com acesso ao maior polo global de proteína animal, a dinâmica muda: parte relevante do faturamento passa a ser dolarizada e atrelada ao ciclo global de ração. 

Do ponto de vista operacional, o efeito aparece no EBITDA. O DDG carrega custo marginal relativamente baixo — o milho já foi adquirido e os custos fixos industriais estão diluídos no processo de fermentação. Quando exportado com prêmio externo, o coproduto amplia a margem operacional sem exigir CAPEX proporcional. 

Fluxo de caixa

A diversificação de receitas também reduz a volatilidade do fluxo de caixa. Em cenários de compressão do “crush spread” do etanol — diferença entre preço do combustível e custo do milho — a venda externa de proteína atua como amortecedor. Isso melhora a previsibilidade financeira e pode reduzir a percepção de risco por credores. 

Na prática, o perfil de alavancagem tende a ficar mais confortável. Receita em dólar cria hedge natural contra oscilações cambiais e fortalece indicadores de cobertura de dívida. Para empresas com exposição a financiamento indexado, a estabilização do caixa pode influenciar o custo médio ponderado de capital (WACC), sobretudo se o mercado enxergar menor concentração de risco setorial. 

Há implicações também para decisões de investimento. A consolidação de demanda externa recorrente eleva a atratividade de projetos de expansão e de otimização industrial. Parte do CAPEX pode ser direcionada a melhorias na secagem, certificações sanitárias e logística de exportação — investimentos com retorno incremental sobre um produto que já nasce do processo principal. 

No limite, o modelo de negócio deixa de ser monotemático. As usinas passam a operar como plataformas multiproduto, combinando energia e proteína sob uma mesma estrutura de custos. Essa integração suaviza ciclos e aumenta a eficiência de capital. 

Se a China se consolidar como destino regular, o DDG pode assumir peso estrutural na receita bruta das plantas, reduzindo a dependência exclusiva da bomba de combustível e aproximando o setor de um perfil mais resiliente — e financeiramente sofisticado. 

Mais do que um novo mercado, trata-se de uma mudança na arquitetura financeira do etanol de milho brasileiro. 



Source link

Últimas Notícias

plugins premium WordPress

MENU

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Jovem que morreu em colisão estava acima da velocidade, diz caminhoneiro envolvido no acidente – catve.com

Defesa Civil emite alerta e interdita trecho da serra no litoral de SP

Atlético-MG precisa ter paciência com novo treinador | Blogs | CNN Brasil

Carro derruba poste e danifica banco no bairro Tropical – catve.com

Motociclista é flagrado conduzindo sem CNH em Toledo – catve.com

RJ: viúva de ex-pm executado é baleada dentro de esmalteria na zona oeste

Sábado deve ser de clima abafado e possibilidade de chuva em Cascavel – catve.com

DDG reforça caixa e reduz risco no etanol de milho | Blogs | CNN Brasil

Entenda as leis americanas que Trump usa para aplicar o “tarifaço”

Idosa sofre golpe de mais de R$ 750 mil de quadrilha em SP; três são presos