O DHS (Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, na sigla em inglês) admitiu que um site que apresentava o nome dos “piores” imigrantes presos estava repleto de erros, o que levou a agência a alterá-lo nesta semana após receber questionamentos da CNN sobre o assunto.

O departamento criou o site em dezembro de 2025 e, junto da secretária de Segurança Interna Kristi Noem e da Casa Branca, promoveu o link intensamente nas redes sociais, enquanto o governo Trump buscava justificar as operações agressivas e sob forte escrutínio de fiscalização da imigração.

O site lista atualmente cerca de 25 mil pessoas, juntamente com os crimes pelos quais, segundo a agência, elas foram presas ou condenadas — incluindo muitas que inicialmente foram ligadas apenas a delitos relativamente menores.

Mas o DHS admitiu nesta semana que o site estava repleto de imprecisões. Após receber questionamentos sobre uma análise do site feita pela CNN, um porta-voz da agência admitiu esta semana que as acusações contra centenas de imigrantes listadas no site foram descritas incorretamente pela agência.

O porta-voz atribuiu as imprecisões a uma “falha técnica” que, segundo ele, o departamento trabalhou para corrigir. Na quarta-feira (18), o porta-voz afirmou que a falha já havia sido “resolvida”.

Uma análise da CNN sobre o site revelou que milhares das pessoas listadas foram descritas pela agência como condenadas ou presas por crimes graves — incluindo crimes sexuais ou diferentes tipos de homicídio.

Mas centenas de outras, consideradas pelo Departamento de Segurança Interna como “as piores entre as piores”, foram descritas como presas ou condenadas por crimes muito menos graves, como infrações de trânsito, posse de maconha ou reentrada ilegal, um crime federal que envolve entrar novamente nos Estados Unidos após uma deportação.

A CNN não conseguiu verificar de forma independente as descrições de cada uma das milhares de pessoas listadas no site.

Questionado sobre se estabelecer uma equivalência entre infratores de trânsito e assassinos poderia prejudicar a mensagem pública da agência sobre as operações, o DHS afirmou que muitos dos indivíduos listados com crimes menores isolados haviam, na verdade, sido presos ou condenados por múltiplos crimes.

Alguns desses crimes eram até mais graves: “Trata-se de uma falha no site WOW (sigla para ‘pior dos piores’, em inglês) que afetou cerca de 5% dos registros”.

“Muitos daqueles que constam na lista por infrações de trânsito e reentrada ilegal, que é um crime grave, também possuem outras condenações”, disse o porta-voz, acrescentando que a agência estava trabalhando “para corrigir o problema”.

O representante não respondeu às perguntas sobre que tipo de falha poderia estar causando a descrição incorreta das pessoas no site.

“Todos esses indivíduos foram presos pelo ICE e todos cometeram crimes, infringindo as leis do nosso país, incluindo alguns que tinham antecedentes criminais por reentrada ilegal”, pontuou o porta-voz.

Tanto a Casa Branca quanto o DHS têm sido alvo de intenso escrutínio por usarem alegações falsas ou enganosas sobre alguns imigrantes como pretexto para justificar operações de fiscalização, ou por descreverem certos incidentes de maneiras que foram posteriormente contraditas por vídeos ou declarações de autoridades locais.

Após a morte de Alex Pretti em Minneapolis no mês passado, autoridades, incluindo Kristi Noem e o arquiteto da política de imigração da Casa Branca, Stephen Miller, apressaram-se em descrever Pretti como “um terrorista doméstico” que teria empunhado uma arma e pretendia massacrar policiais.

Vídeos mostram agentes usando spray de pimenta contra Alex Pretti antes de imobilizá-lo no chão. Um agente vestindo uma jaqueta cinza pode ser visto retirando uma arma de Alex Pretti momentos antes de os policiais atirarem fatalmente nele • Obtido pela CNN
Vídeos mostram agentes usando spray de pimenta contra Alex Pretti antes de imobilizá-lo no chão. Um agente vestindo uma jaqueta cinza pode ser visto retirando uma arma de Alex Pretti momentos antes de os policiais atirarem fatalmente nele • Obtido pela CNN

Imagens de vídeo mostraram posteriormente que Pretti nunca sacou a arma que portava no momento em que foi baleado, e tanto Miller quanto Noem atribuíram descrições prematuras de Pretti a informações que receberam de policiais no local.

Esta também não é a primeira vez que o governo Trump reconhece que descrições de alguns imigrantes, que eles classificaram como “os piores dos piores”, eram imprecisas.

Em outro caso, relatado inicialmente pelo site de notícias americano NOTUS, a Casa Branca admitiu ter publicado a foto de um homem que o governo erroneamente alegou ter sido condenado por um crime sexual envolvendo uma criança.

Um funcionário da Casa Branca afirmou que o erro foi corrigido e que o governo continuará divulgando informações sobre “os imigrantes ilegais criminosos e perigosos que estão sendo retirados de nossas ruas”.

Dúvidas sobre outras informações no site

O site do Departamento de Segurança Interna dos EUA com a lista dos “piores dos piores” também inclui os países de origem dos imigrantes e a cidade onde foram presos.

A análise da CNN sobre o site mostra que algumas das localidades com o maior número de prisões são cidades relativamente pequenas, mas que abrigam grandes prisões, o que pode indicar que os detidos já estavam em prisões federais ou haviam sido transferidos da custódia estadual.

Nesses casos, isso poderia contradizer a alegação da agência de que eles representavam “ameaças à segurança pública” que estavam “à espreita” nas comunidades.

A cidade com o maior número de prisões é Conroe, no Texas, localizada a cerca de 65 quilômetros ao norte de Houston e com uma população estimada em 114 mil habitantes.

Essa cidade abriga o Centro de Processamento Joe Corley, uma instalação de detenção privada utilizada pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) para abrigar imigrantes.

Outras cidades com grande número de prisões, como Lompoc, na Califórnia, Yazoo City, no Mississippi, e Eden, no Texas, têm populações relativamente pequenas, mas grandes centros de detenção federais.

As redes sociais do Departamento de Segurança Interna, de Kristi Noem e da Casa Branca têm exibido uma série de fotos de pessoas que o governo afirma ter retirado das ruas durante a Operação Metro Surge, a repressão à imigração que vem sendo realizada nas Cidades Gêmeas (Minneapolis e St. Paul) nos últimos dois meses.

O governo está agora reduzindo a operação em Minnesota, embora mantenha uma pequena presença de agentes no estado.

No entanto, autoridades locais em Minnesota acusaram o DHS de inflar os números de prisões divulgados, atribuindo a si mesmos o crédito por prisões feitas por policiais locais, que posteriormente foram transferidas para as autoridades de imigração por meio de processos de rotina.

“Isto já não é um simples mal-entendido”, disse Paul Schnell, comissário do Departamento de Correções de Minnesota, durante uma conferência de imprensa no mês passado.

Na melhor das hipóteses, disse Schnell, “o Departamento de Segurança Interna compreende fundamentalmente mal o sistema correcional de Minnesota”.

“Na pior das hipóteses”, acrescentou, “é pura propaganda, números divulgados sem provas para alimentar o medo em vez de informar o público”.

Um porta-voz do departamento afirmou em um comunicado: “Todos esses indivíduos foram presos pelo ICE e estão sendo submetidos a processos de deportação”.

“Sob a liderança do presidente Trump e da secretária Noem, não permitiremos que criminosos sejam libertados das prisões e retornem às nossas comunidades”, disse o porta-voz.

Entre as pessoas que o Departamento de Segurança Interna classifica como “as piores das piores”, quase metade é do México. Mais de 2.100 são de Honduras; Guatemala e Cuba representam cerca de 1.900 cada; El Salvador, quase 1.200; enquanto Irã, China, Nicarágua, Haiti e Jamaica têm dezenas de pessoas cada.

Várias também são da Somália – um país que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repetidamente atacado e que tem sido um dos principais focos da recente repressão do governo em Minneapolis, onde há uma grande diáspora somali.

Agentes do ICE entram em confronto com manifestantes em Minneapolis • Reuters
Agentes do ICE entram em confronto com manifestantes em Minneapolis • Reuters

Questionamentos sobre divulgação de prisões

Não é incomum que agências de aplicação da lei, grandes ou pequenas, divulguem suas operações ou prisões — e o DHS sofreu imensa pressão do governo Trump para melhorar a imagem pública e divulgar as detenções.

“Mostrem os números, os nomes e os rostos dos criminosos violentos, e mostrem-nos AGORA”, escreveu o presidente na Truth Social no mês passado.

“As pessoas começarão a apoiar os patriotas do ICE, em vez dos encrenqueiros, anarquistas e agitadores bem pagos!”, alegou.

Mas o problema, segundo os críticos, é que a proporção de “criminosos violentos” condenados por crimes com ligação à segurança pública é menor do que a apresentada pelo governo, mesmo que o DHS ajuste sua lista para refletir um número maior de infratores violentos.

“A grande maioria dos chamados estrangeiros criminosos são indivíduos acusados ​​ou condenados por infrações de trânsito, direção sob efeito de álcool ou drogas e crimes relacionados à imigração”, disse John Sandweg, que atuou como diretor interino do ICE durante o governo Obama.

“Esse foi o desafio que enfrentamos durante o governo Obama. Vou colocar desta forma – e dediquei todos os dias a isso – estamos dizendo que estamos focados nos piores dos piores, estamos focados em criminosos perigosos, essa é a nossa missão, tirá-los das ruas”, adicionou.

Mas quando se trata da dimensão do problema conforme descrito pelo governo Trump, Sandweg disse: “Essa população não existe. Simplesmente não existe”.



Source link

Últimas Notícias

plugins premium WordPress

MENU

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Moto para dentro de carro e condutor em cima de veículo em acidente na PR-445 – catve.com

Homem finge ser policial, atira pra cima na Marginal Tietê (SP) e é preso

Venezuela começa a libertar presos pela Lei de Anistia, diz ONG à CNN | Blogs | CNN Brasil

Haddad: Equilíbrio fiscal do próximo mandato exige metade do esforço atual

Homem com mandado de prisão em aberto é preso em Cascavel – catve.com

Eslováquia ameaça interromper o fornecimento de eletricidade à Ucrânia

Artilheiro Kane brilha em vitória do Bayern sobre o Frankfurt

Pedágio Eletrônico começa na segunda (23); saiba os pontos de pagamento em comércios da região – catve.com

Médico é indiciado por suspeita de estupro de pacientes em MG

Homem é preso por importunação sexual em Matelândia – catve.com