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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em Nova Délhi, na Índia, estar “aliviado” por não ter se precipitado nas negociações tarifárias com os Estados Unidos diante das incertezas causadas pelas disputas entre a Suprema Corte do país e o presidente Donald Trump.

O petista afirmou que não poderia julgar as decisões da Justiça americana sobre as tarifas e não comentou diretamente os anúncios de Trump de que as alíquotas globais vão subir para 15%, movimentos que causam incerteza nas negociações comerciais de vários países, inclusive o Brasil.

“Sobre a taxação, tomamos decisão com muita cautela e tomamos a decisão correta. Em algumas coisas o próprio governo americano voltou atrás (com relação às tarifas contra o Brasil) e agora temos a decisão da Suprema Corte. Por isso, eu quero conversar direto com Trump sobre toda a relação entre o Brasil e os Estados Unidos”, disse ele.

O presidente, no entanto, reconheceu que a negociação com os americanos “é muito difícil porque me parece que o lado de lá não tem tanta vontade de negociar”.

Lula fazia uma referência a membros do governo americano que acreditariam que “o presidente Trump resolve as coisas pelo Twitter”.

Segundo ele, “as coisas só andaram um pouco quando eu pessoalmente falei com o presidente Trump, porque ele nos deu o telefone e que a gente tem contato direto. Então, às vezes, eu fico pensando que tem gente que não quer que a gente dê certo nos acordos, e é por isso que eu quero conversar com o Trump”.

As incertezas causadas pela queda de braço entre a Suprema Corte americana e Trump foram discutidas entre ministros do governo brasileiro que acompanharam Lula na sua visita de Estado à Índia.

Alguns membros da comitiva afirmaram que acabou sendo positivo o Brasil entrar na fase final da negociação depois da decisão americana, porque alguns países acabaram de fazer acordos que incluem tarifas superiores aos 15% globais anunciados por Trump depois da decisão da justiça.

Um integrante da delegação avaliou que isso poderia ter acontecido com o Brasil, o que forçaria o país a ter que renegociar tudo de novo, como alguns países provavelmente terão que fazer agora.

As tarifas serão o principal tema das conversas entre Lula e Trump, que devem acontecer, segundo o governo brasileiro, em março, na Casa Branca.

O presidente não explicou quem seriam os membros da administração americana que poderiam estar dificultando as conversas, mas o governo brasileiro identificou desde o início da crise uma resistência de parte da diplomacia e de integrantes da Secretaria do Tesouro americanos ao Brasil. Por isso, a estratégia de Brasília tem sido a de concentrar as conversas entre os dois chefes de Estado.



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