Quatro anos de guerra! Conflito na Ucrânia entra em impasse e redesenha cenário mundial - catve.com

Há 1.461 dias, na manhã de 24 de fevereiro de 2022, o mundo assistia ao início da guerra na Ucrânia. O que parecia improvável, apesar da movimentação de tropas na fronteira, se confirmou nas primeiras horas daquele dia, quando mísseis atingiram Kiev e outras cidades estratégicas.

A ordem partiu do presidente russo Vladimir Putin, dando início à maior invasão terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A expectativa do Kremlin, segundo o instituto britânico Royal United Services Institute, era assumir o controle do território ucraniano em cerca de 10 dias. Quatro anos depois, o cenário é bem diferente.

Mesmo com aproximadamente 20% do território sob domínio russo, a Ucrânia resistiu com apoio de aliados ocidentais e forte mobilização interna. O presidente Volodymyr Zelensky tem adotado um tom mais firme nas negociações e afirma que o país está disposto a discutir acordos, desde que não comprometam soberania e independência.

Negociações travadas

O conflito entra no quinto ano cercado por tratativas diplomáticas envolvendo Ucrânia, Rússia e Estados Unidos. Avanços pontuais ocorreram em questões humanitárias, como trocas de prisioneiros, mas o principal impasse continua sendo o destino dos territórios ocupados.

A mediação tem participação direta do presidente norte-americano Donald Trump, que pressiona por um acordo e defende maior flexibilidade nas negociações. Washington também ampliou acordos estratégicos com Kiev nas áreas de defesa e minerais.

Guerra de desgaste

O custo humano é considerado um dos mais elevados desde 1945. Estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais indicam cerca de 1,2 milhão de soldados russos mortos ou feridos. Do lado ucraniano, as perdas militares variam entre 500 mil e 600 mil.

Além das baixas no campo de batalha, milhares de civis morreram, cidades foram devastadas e milhões de pessoas deixaram suas casas.

Mesmo sob sanções, a economia russa apresentou resistência maior que o esperado inicialmente, impulsionada pelas exportações de energia. Ainda assim, o esforço de guerra pressiona o mercado de trabalho e setores civis.

Reconstrução bilionária

Do lado ucraniano, o impacto material é devastador. Estimativas conjuntas do governo da Ucrânia, Banco Mundial, Comissão Europeia e ONU apontam que a reconstrução pode alcançar US$ 588 bilhões na próxima década. Os danos diretos já ultrapassam US$ 195 bilhões, atingindo principalmente os setores de energia, transporte e habitação.

Impacto global

Um dos objetivos iniciais de Moscou era conter a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte. No entanto, após a invasão, Finlândia e Suécia aderiram à aliança, ampliando a presença militar ocidental nas fronteiras russas.

O que começou como uma ofensiva rápida se transformou em uma guerra prolongada, de desgaste, sem prazo definido para terminar. Às vésperas do quarto ano de conflito, o cenário permanece indefinido — com negociações em curso, mas sem acordo que ponha fim à maior crise geopolítica do século XXI.

Antonio Mendonça/ Catve/ Metrópoles

Fonte: PARANAGOV

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