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Vitória Gomes, de 18 anos, é uma das vítimas que sobreviveu a umas das maiores tragédias recentes da história recente de Minas Gerais, mas teve sua vida marcada para sempre pela perda de familiares. Em depoimento emocionante concedido ao Bastidores CNN, a jovem relatou como perdeu a mãe e a filha Melissa, de apenas dois anos, durante o deslizamento que destruiu parcialmente sua residência.

“Eu estava assistindo televisão, minha filha já estava dormindo, meu marido na cozinha. Aí já estava aquela chuva muito forte, eu até postei, falei: meu Deus, misericórdia, que chuva é essa?”, contou Vitória.

Segundo ela, um raio caiu sobre sua casa, seguido imediatamente pelo desabamento. “Caiu o raio, já caiu as casas tudo. Não deu brecha”, relatou, explicando que a parte mais afetada foi justamente a dos quartos, onde sua filha pequena dormia.

Entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada de terça (24), um volume de chuva equivalente a 200 milímetros, previsto para cair ao longo de quatro dias, desabou sobre Juiz de Fora (MG) em apenas cinco horas, provocando uma das maiores tragédias da história recente de Minas Gerais. O temporal intenso encharcou o solo e provocou deslizamentos de terra que já deixaram 40 mortos na região, além de 30 desaparecidos, cujas buscas ainda estão em andamento.

O Parque Brunier, bairro em que Vitória mora, é um dos locais mais atingidos pela tragédia. Por lá, encostas cederam levando consigo árvores, pedras, casas e vidas. Até o momento, 12 pessoas seguem desaparecidas apenas nessa região, após a localização de mais um corpo do sexo masculino, de um idoso que estava sendo procurado pelos bombeiros.

A tragédia não se limita a Juiz de Fora. Outras cidades como Ubá e Matias Barbosa também foram severamente atingidas pelas chuvas. Em Ubá, também há registros de mortes, enquanto Matias Barbosa sofreu com devastação significativa, embora sem óbitos confirmados.

Operação de resgate contínua

Pontos de apoio foram montados na região para dar suporte tanto aos socorristas e brigadistas quanto aos familiares das vítimas, que permanecem no local aguardando notícias de seus entes queridos. Os relatos das testemunhas e sobreviventes revelam a dimensão do trauma vivido pela população local.

As autoridades seguem mobilizadas nas buscas pelos desaparecidos, em uma operação que enfrenta dificuldades devido à quantidade de escombros e à instabilidade do terreno. A tragédia evidencia mais uma vez a vulnerabilidade de áreas de encosta durante o período chuvoso em Minas Gerais, especialmente quando ocorrem precipitações em volume muito acima do normal em curto espaço de tempo.



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