Os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã neste sábado (28) revelam uma estratégia mais ampla do que simplesmente neutralizar ameaças militares. Segundo análise do especialista sênior da CNN Américo Martins, o objetivo real é provocar uma mudança de regime no país persa, aproveitando-se da fragilidade interna do governo iraniano e de sua liderança contestada.

Donald Trump confirmou os ataques realizados neste sábado (28) e, em um vídeo de oito minutos, chegou a exortar a população iraniana a tomar o poder, evidenciando a intenção de derrubar o atual sistema político-religioso. Benjamin Netanyahu também fez declarações que sugerem o mesmo propósito, com Israel confirmando tentativas de atacar figuras-chave do regime.

Infiltração profunda e alvos estratégicos

A inteligência israelense conseguiu se infiltrar profundamente nas estruturas do governo iraniano, inclusive em seu alto escalão. Um exemplo dessa capacidade foi demonstrado em 2024, quando um líder importante do Hamas foi morto em uma casa supostamente segura do governo iraniano por meio de uma bomba detonada remotamente. Isso evidencia o acesso a informações privilegiadas sobre a localização de autoridades e instalações militares iranianas.

Os ataques atuais parecem concentrar-se em três frentes principais: as defesas antiaéreas do país, para facilitar futuras incursões; a Guarda Revolucionária, braço armado que defende os interesses dos ayatollahs; e os principais líderes do regime, com destaque para o líder supremo Ali Khamenei, que tem 86 anos e não é visto em público há tempos, fazendo apenas declarações por vídeo de locais não identificáveis.

A fragilidade do sistema político iraniano

O Irã funciona como uma teocracia onde o líder supremo Ali Khamenei concentra poder político e religioso há 35 anos. Ele controla diretamente ou indiretamente diversas instâncias do Estado, como o Conselho dos Guardiões, que é responsável por escolher seu sucessor, e tem autoridade para vetar candidatos à presidência do país.

Apesar da aparente solidez do regime, há sinais de fragilidade interna. Protestos populares têm ocorrido com frequência, e o país enfrenta uma grave crise econômica. Não existe um sucessor claramente definido para Khamenei, o que gera incertezas sobre a continuidade do sistema. Seu filho é mencionado como possibilidade, mas não há consenso sobre quem assumiria a liderança em caso de vacância.

Americanos e israelenses parecem estar contando com o apoio de pelo menos uma parte da população iraniana para concretizar a mudança de regime. No entanto, como ressalta o analista, a oposição no Irã é duramente reprimida e não há, no momento, nenhuma figura capaz de aglutinar a insatisfação popular. Isso torna incerto o sucesso da estratégia de provocar uma transição política através de bombardeios, mesmo com eventual apoio popular.

 



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