O presidente Donald Trump escolheu o momento de maior fraqueza do regime dos aiatolás para atacar o Irã.

Nos últimos meses, o governo iraniano colecionou uma impressionante lista de problemas que fragilizou, interna e externamente, o país dos pontos de vista social, econômico e militar.

Internamente, o Irã enfrenta uma grave crise econômica provocada principalmente pelas duras sanções impostas pelos Estados Unidos e outros países aliados do Ocidente.

A inflação disparou no ano passado e o rial iraniano, a moeda local, perdeu mais de 50% do seu valor.
O custo de vida aumentou profundamente. A moeda desvalorizada encareceu alimentos, medicamentos e combustíveis.

Empresas fecharam as portas, o desemprego cresceu e a classe média urbana, tradicionalmente mais moderada, passou a demonstrar abertamente sua insatisfação.

Esse ambiente econômico deteriorado levou a uma grande onda de protestos contra a teocracia liderada pelo aiatolá Ali Khamenei.

Manifestações espalharam-se por diferentes cidades no início do ano, impulsionadas pela indignação com a crise econômica e pela repressão aos direitos civis, especialmente das mulheres e dos jovens. A resposta do aparato de segurança foi dura e organizações de direitos humanos relatam milhares de mortos e presos.

Os números talvez nunca sejam comprovados, mas sabe-se que essa foi uma das mais duras ondas de repressão contra o povo iraniano desde a revolução islâmica de 1979. No plano externo, o enfraquecimento foi ainda mais forte e visível.

O chamado “eixo de resistência” articulado por Teerã sofreu reveses consecutivos nos últimos meses.
Na Faixa de Gaza, o Hamas perdeu capacidade operacional após a guerra devastadora com Israel. Infraestruturas militares foram destruídas, lideranças eliminadas e o grupo viu sua margem de manobra política diminuir drasticamente.

No Líbano, o Hezbollah, considerado o mais poderoso aliado regional do Irã, perdeu a guerra com Israel.
Ainda que mantenha capacidade militar relevante, o Hezbollah enfrenta hoje limitações operacionais e pressão interna dentro do próprio Líbano, onde parte da população questiona o custo de servir como linha auxiliar do Irã.

Na Síria, milícias apoiadas pelo Irã perderam espaço após a queda do regime do ditador Bashar al-Assad.

No Iraque, grupos paramilitares xiitas alinhados a Teerã enfrentam crescente resistência política doméstica e pressão internacional para reduzir sua autonomia armada.

O resultado foi um cinturão regional menos coeso e menos eficaz para defender o regime iraniano. Além de tudo isso, dois parceiros estratégicos do Irã também não estão em posição de oferecer qualquer proteção efetiva aos aiatolás.

A prioridade da Rússia continua sendo a guerra na Ucrânia, que vem consumindo cada vez mais recursos militares.

Moscou não tem condições, mesmo que quisesse se deslocar equipamentos ou apoio significativo para defender Teerã sem comprometer sua campanha no Leste Europeu.

Já a China, embora precise do petróleo iraniano e mantenha relações comerciais relevantes, evita envolvimento militar direto no Oriente Médio.

Pequim prioriza estabilidade energética e expansão econômica, não confrontos armados com Washington que não teria, no momento, condições de vencer.

Diante desse quadro, a ofensiva coordenada entre Washington e o governo de Israel parece ter sido estrategicamente calculada.

Não é por acaso que Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu exploram o momento em que o adversário está mais isolado e pressionado para atacar.

A ideia é maximizar o impacto contra o regime e reduzir riscos de retaliação coordenada.
Em geopolítica, o timing das ações é crucial. Desta vez, Washington decidiu agir quando percebeu que Teerã estava mais vulnerável do que nunca.

Entenda

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou os ataques do país com Israel contra o Irã neste sábado (28). Trump descreveu a campanha militar como “massiva e contínua”, acrescentando que vidas americanas podem ser perdidas como resultado.

Trump afirma que o objetivo da ofensiva é “defender o povo americano” do que chamou de “ameaças do governo iraniano”. Em um vídeo publicado na rede social Truth Social, o presidente dos EUA disse que irá destruir os mísseis do Irã e garantir que o país do Oriente Médio não terá armas nucleares.

Um oficial israelense afirmou que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi alvo do ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao país iraniano neste sábado. A informação também foi confirmada à CNN por duas fontes próximas à operação militar.

Como resposta, o Irã atacou bases americanas nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein e Kuwait. Outros países atingidos até o momento são Jordânia e Iraque. Segundo a equipe da CNN, é um ataque sem precedentes no Oriente Médio.

Uma pessoa morreu após ser atingida por destroços em uma área residencial de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.



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