Negócios que apostam no autoatendimento se tornaram ainda mais populares após a pandemia.

Com as restrições de circulação e preocupações com a propagação do vírus, o varejo passou a incorporar soluções que trazem mais comodidade, autonomia e um menor contato físico. Assim, houve uma guinada no número de lojas autônomas e vending machines por todo o país.

Investir em negócios autônomos é também sinônimo de flexibilidade. Sem altos investimentos em equipe, o modelo de negócio permite a gestão remota e muitas vezes dispensa a necessidade de contratação de funcionários ou a presença física do empreendedor a todo tempo.

Com menor gasto operacional, sobram também recursos para investir em melhorias no maquinário: o empreendedor passa a ter recursos dedicados à equipamentos de ponta, especialmente no de pontos de venda que dependam de máquinas funcionais em período integral, além de sistemas de segurança e monitoramento que permitam pagamentos digitais, reduzam os riscos de fraude e também façam o controle remoto de estoque.

Os empreendimentos autônomos também apresentam a vantagem competitiva da continuidade. Ao apostar em automação, pontos de venda ou prestação de serviços operam sem interrupções — a todo momento, e durante todos os dias da semana.

Higiene e autonomia

A PitCap é um exemplo de empreendimento que herda as vantagens dos modelos de negócios sem contato humano, popularizados durante a pandemia de Covid-19. A rede e franquias é a primeira a lançar vending machines para higienização de capacetes de motocicletas no Brasil, unindo tecnologia e conveniência.

Totalmente automatizada, a máquina desenvolvida pela empresa higieniza, desodoriza e perfuma levemente capacetes em menos de quatro minutos. O serviço custa R$10 e opera em sistema de autoatendimento, com pagamento via Pix, cartão ou QR Code.

Para Antony Fedlallah, CEO da PitCap, em um mercado que busca escala com estrutura enxuta, o modelo autônomo surge como resposta direta à demanda por eficiência e conveniência. Já o desafio, ele diz, é oferecer uma experiência à prova de dúvidas, sem assistência humana.

“Embora o brasileiro esteja cada vez mais adaptado ao autosserviço, isso não é imediato em todos os perfis e regiões. Por isso, a educação no ponto de venda é parte da estratégia, com instruções visuais, comunicação direta no equipamento e ações de demonstração”, explica.

Dicas para empreender com negócios autônomos

A realidade vivenciada pela PitCap está em linha com recomendações claras de especialistas: por trás da decisão em empreender com negócios essencialmente autônomos, é preciso compreender que há também a necessidade de educação do público.

“Redes com modelos self-service não apenas oferecem autonomia, mas devem demonstrar, na prática, como a tecnologia facilita a jornada de compra, reduz fricções, otimiza tempo e amplia a sensação de controle”, afirma Caroline Jurdi, fundadora e CEO da CJ Hub, agência de Marketing as a Service.

Cabe ao empreendedor ressaltar atributos ligados à conveniência e praticidade de sua marca. O resultado disso é um consumidor com clareza sobre o valor da tecnologia, e que reconhece a autonomia como parte de uma experiência.

“Quando o consumidor entende a praticidade e se sente seguro para utilizar os recursos disponíveis, a inovação deixa de ser apenas um diferencial e passa a ser parte natural da experiência”, diz.

Segundo Denis Caldeira de Almeida, estrategista de negócios e fundador da consultoria empresarial Caldeira Growth, outras dicas se resumem à escolha por uma localização estratégica, além do planejamento financeiro minucioso.

“O primeiro desafio é encontrar um ponto comercial não apenas atrativo do ponto de vista de demanda mas essencialmente seguro”, explica.

Ele afirma que outro desafio é ter manutenção técnica disponível e tempestiva nos pontos de venda.

“Se uma máquina quebra é importante ter em mãos um técnico de sobreaviso. Se essa manutenção demora a ser realizada, então o negócio perde lucratividade. O ideal é ter um contrato de manutenção com níveis de serviços (SLAs) aplicados”, recomenda.

Além disso, o especialista destaca a importância de não considerar os empreendimentos autônomos como algo de “trabalho zero”, ou seja, mesmo sem a contratação prévia de funcionários e gestão remota, é preciso levar em conta o controle de estoque, falhas no sistema e principalmente um canal de atendimento ao consumidor.

“Se não houver canal de suporte eficiente, a experiência do consumidor se deteriora e o modelo perde reputação”, explica.

Previsibilidade e acompanhamento contínuo

Com 600 unidades em operação, a Lavô é hoje a principal rede de lavanderias self-service do Brasil — e um dos negócios que colocam a estratégia de supervisão contínua e remota em prática, especialmente para manutenções.

Com um modelo totalmente automatizado, a Lavô dispensa funcionários e permite que toda a gestão seja feita à distância, por meio de um sistema online que monitora as unidades e seu funcionamento em tempo real.

Para Angelo Max Donaton, CEO da Lavô, os negócios autônomos deixaram de ser tendência e passaram a representar uma nova lógica de crescimento.

“Este modelo de negócio surge como resposta à busca por mais eficiência e a mudança no comportamento do consumidor. São operações com baixa dependência de equipe, gestão 100% digital e monitoramento em tempo real, o que reduz custos fixos e aumenta a previsibilidade”, afirma.

Confeitaria em máquinas

A Le Petit Macarons tem apostado na venda do tradicional doce francês por meio de vending machines em locais de grande circulação, como shoppings e aeroportos. Com operação autônoma, sem funcionários e com controle via software, as máquinas têm faturamento médio de até R$ 30 mil por mês.

“É uma solução de baixa barreira de entrada e alta capilaridade, permitindo que o empreendedor opere com eficiência onde lojas físicas não chegam, atendendo a todos os públicos com uma experiência bastante intuitiva,  garantindo usabilidade e compra por pessoas de todas as faixas etárias, sem dificuldades. Tudo isso com o benefício de não precisar contratar funcionários para iniciar a operação”, afirma Roger Coelho, sócio-fundador da Le Petit Macarons.

Texto de Maria Clara Dias



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