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O governo Lula acompanha com cautela a escalada do conflito no Oriente Médio após Estados Unidos e Israel atacarem o Irã no último sábado (28) e o país revidar. O entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê incertezas para a região após a ofensiva e prega diálogo na resolução do mais recente conflito no Oriente Médio.

A avaliação é a de que o uso da força leva a um cenário internacional incerto e “altamente inflamável”. Uma ala do governo afirma que ações militares norte-americanas como a que foi promovida neste final de semana tiveram, no passado, resultados negativos. Operações no Iraque, Afeganistão e Líbia são lembradas.

Integrantes do governo reafirmam que o Brasil rechaça a guerra como alternativa para a resolução de conflitos e apoia a diplomacia e o diálogo. O modelo de atuação brasileiro, de não violência e aposta em ação diplomática, é considerado mais eficiente em termos de custo-benefício, segundo integrantes do governo.

Oficialmente, o Ministério das Relações Exteriores condenou os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã no sábado (28). Em nota, o governo fez um apelo para que os países respeitem o Direito Internacional e “exerçam máxima contenção”.

“Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, declarou a pasta.

A declaração brasileira faz referência às negociações nucleares que estavam sendo articuladas entre o Irã e os Estados Unidos. Os dois países têm um impasse há décadas sobre o programa nuclear iraniano: a Casa Branca, assim como Israel e outros países do Ocidente, acredita que o Irã tem o objetivo de construir armas nucleares. O país nega a acusação.

Horas depois, em um novo comunicado, o Itamaraty condenou “quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis”.

“Recordando que a legítima defesa, prevista no artigo 51 da Carta das Nações Unidas, é medida excepcional e sujeita à proporcionalidade e ao nexo causal com o ataque armado, o Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia – objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro”, afirmou o Itamaraty.

Para o governo brasileiro, a escalada de “hostilidades” na região do Golfo representa uma “grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance”.

O Brasil também ressaltou que às Nações Unidas têm “papel central na prevenção e na resolução de conflitos” via negociações diplomáticas.



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