Faltando 100 dias para o início da Copa do Mundo de 2026, a procura por ingressos para o torneio nos EUA, México e Canadá está atingindo níveis intensos, apesar dos preços exorbitantes que têm feito torcedores protestarem em meio à instabilidade global após o ataque dos EUA ao Irã.

A Fifa informou que quase dois milhões de ingressos foram vendidos nas duas primeiras fases de venda, com uma demanda tão intensa que os ingressos da Copa foram solicitados em volume mais de 30 vezes superior à oferta.

“Teremos sete milhões de pessoas nos estádios. Tivemos demanda por mais de 500 milhões de ingressos, sendo que temos apenas seis a sete milhões disponíveis para venda”, disse o presidente da FIFA, Gianni Infantino, em um vídeo marcando os 100 dias até o início.

“Mas, para todos os torcedores, não se preocupem. Ainda temos e manteremos alguns ingressos para a última fase de vendas, que começará em abril (após as repescagens) — uma espécie de fase de vendas de última hora”, completou.

Preço dos ingressos é “grande obstáculo”

A expectativa em torno do torneio na América do Norte é sem precedentes.

“A demanda pela Copa do Mundo de 2026 nos EUA, Canadá e México é a mais forte que já experimentei. Acho que a FIFA vai arrecadar valores recordes. Não há dúvida. Esta Copa do Mundo será um enorme sucesso financeiro e os beneficiários serão as federações-membro”, disse Michael Edgley, diretor da Green and Gold Army Travel, da Austrália.

Mas essa popularidade tem seu preço. A geografia adiciona uma camada extra de complexidade, já que o torneio abrangerá 16 cidades-sede em três países, tornando mais desafiador e caro para os torcedores que desejam acompanhar suas seleções.

“O preço dos ingressos tem sido um grande obstáculo, afetando particularmente o número de partidas que cada torcedor assistirá, bem como as distâncias entre os estádios e os custos envolvidos”, disse Corte.

Mercado segundário em alta

O choque com os preços é ainda mais evidente este ano, especialmente com um enorme mercado de revenda onde os ingressos são vendidos acima do valor nominal, o que é legal nos Estados Unidos e no Canadá. A Fifa defendeu o modelo de mercado secundário.

“Ao contrário das entidades por trás de plataformas de venda de ingressos de terceiros com fins lucrativos, a Fifa é uma organização sem fins lucrativos”, disse um porta-voz.

“A receita gerada pelo modelo de vendas de ingressos da Copa do Mundo da FIFA 2026 é reinvestida no desenvolvimento global do futebol… A FIFA espera reinvestir mais de 90% de seu orçamento previsto para o ciclo 2023-2026 de volta no esporte.”

Mehdi Salem, vice-presidente da associação francesa de torcedores Les Baroudeurs du Sport, afirmou que estão vendo um aumento superior a 200% em relação ao que lhes foi informado em 2018 pela federação francesa e pela Fifa.

O impacto dos preços é tão forte que a associação de Salem, que conta com cerca de 400 membros, terá apenas 100 presentes no torneio — uma queda dramática que ele atribui aos preços dos ingressos e ao cenário político nos Estados Unidos.

“Sentimos que esta Copa do Mundo não será realmente uma Copa do povo, mas sim uma Copa elitista”, acrescentou Salem.

Cenário global vive tensão

Além do conflito de EUA e Israel contra o Irã — país que deve disputar seus jogos da fase de grupos da Copa nos Estados Unidos —, as ações rigorosas do ICE e a onda de violência em Guadalajara após a morte do líder de cartel mais procurado do México estão causando preocupação entre os fãs.

“Tenho medo de que não me deixem entrar no país; decidi que, no máximo, vou voar para o Canadá, mas não para os EUA”, disse à Reuters o torcedor alemão Tom Roeder.

“Espero que pelo menos a questão da guerra com o Irã não chegue à América do Norte. Pelo menos não de uma forma que nos afete pessoalmente”, completou.

As tensões políticas e sociais em torno dos países-sede não são novidade na Copa do Mundo.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que “não há risco” para os torcedores que viajam ao país, e Adrian Nunez Corte, líder da Unipes, uma associação de torcedores na Espanha, disse que isso não afetou a disposição de comprar ingressos.

“Obviamente, isso gera preocupação, mas alguns torcedores espanhóis que vivem na região ajudaram a acalmar a situação após as primeiras horas de alarme”, disse Corte.

“Não há alarme em relação à política de imigração dos EUA, mas as pessoas estão levando a sério a preparação dos vistos necessários para evitar problemas, especialmente porque alguns torcedores viajarão entre os EUA e o México devido ao calendário de jogos.”



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