Os dados do PIB (Produto Interno Bruto) de 2025 mostraram que o Brasil cresceu 2,3%, em um movimento de perda de fôlego ante 2024. A analista de economia da CNN Brasil, Rita Mundim, chamou a atenção para a fragilidade do ritmo de crescimento do país.
“Nós estamos tendo um crescimento que não é sustentável”, disse.
Segundo ela, o consumo das famílias cresceu 1,3% no ano passado, enquanto o consumo do governo aumentou 2,1%, o maior da série histórica desde 1996.
“Esse crescimento tem sido turbinado por benefícios sociais, auxílios sociais, provocando esse crescimento por demanda, o que não é sustentável, porque isso gera aumento da nossa dívida, aumento do pagamento de juros e um desequilíbrio fiscal”, explicou.
Ela ressaltou que o setor de serviços tem a maior participação na formação do PIB, enquanto a agropecuária, que cresce com produtividade, representa apenas cerca de 10%.
O cenário inflacionário também preocupa. A inflação prévia medida pelo IPCA-15 veio acima do esperado, registrando 0,84% quando a expectativa era de 0,5%.
Rita Mundim atribuiu esse resultado ao aumento do dinheiro em circulação em fevereiro, devido ao reajuste do salário mínimo e à isenção do imposto de renda.
Com relação à política monetária, a colunista avalia que o Banco Central pode ter que “pisar de novo no freio e pisar forte” devido à rápida correção do dólar.
Ela acredita que na reunião de março, o Copom pode optar por um corte menor na taxa Selic, de apenas 0,25%, “diante dessas incertezas globais e da piora do cenário interno”.
Rita Mundim concluiu que o Brasil enfrenta um “cenário complicado internamente pela questão fiscal” e pela forma como o crescimento econômico está sendo sustentado, com o governo “injetando dinheiro demais na economia”, aumentando a dívida e impede a queda da taxa de juros por elevar o risco.