O SGB (Serviço Geológico do Brasil) assinou, nesta terça-feira (3), em Toronto, um acordo de cooperação técnica com o GSC (Geological Survey of Canada) para identificar áreas com maior probabilidade de conter depósitos de níquel.
O acordo foi firmado durante o PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), maior evento de mineração do mundo, que reúne governos, investidores e empresas em busca de projetos e novas tecnologias para a corrida global por minerais críticos.
Na prática, os técnicos vão cruzar grandes volumes de dados já existentes, como mapas geológicos, análises químicas de rochas e solos, levantamentos geofísicos (que “enxergam” o subsolo) e imagens de satélite.
A partir desse cruzamento, será aplicada modelagem para identificar o potencial mineral com uso de inteligência artificial. Essa técnica permite o reconhecimento de padrões geológicos associados a depósitos de níquel e apontar, com maior precisão, as áreas mais promissoras para exploração.
Os resultados serão apresentados na forma de publicações, artigos, plataformas de visualização e mapas. Essas ações têm o intuito de reduzir os riscos exploratórios, tornando o país mais atrativo para investimentos.
O Canadá é considerado uma referência internacional na combinação de grandes bases públicas de dados geocientíficos com ferramentas avançadas de análise para priorizar áreas de exploração, inclusive com iniciativas governamentais voltadas a minerais críticos que envolvem aplicações de IA.
Geólogos brasileiros, que também são reconhecidos no exterior pela qualidade técnica e pela experiência em províncias complexas, veem esse tipo de cooperação como uma oportunidade de incorporar novas ferramentas analíticas e metodologias avançadas de tratamento de dados.
O mapeamento geológico é considerado uma ferramenta essencial para a atração de investimentos no setor mineral, ao reduzir incertezas técnicas e custos de prospecção nas fases iniciais dos projetos.
O níquel é um dos principais minerais críticos da transição energética. Ele é utilizado na fabricação de baterias de íons de lítio, especialmente em tecnologias de maior densidade energética, empregadas em veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, além de aplicações na indústria aeroespacial, defesa e aço inoxidável.
Em fevereiro, o SGB lançou um painel digital que reúne dados técnicos sobre o potencial do subsolo brasileiro para a exploração de níquel.
*O repórter viajou a convite da ADIMB (Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro)