A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito do Grupo Pão de Açúcar (GPA) de “CCC (bra)” para “C (bra)” nesta quarta-feira (11) após a companhia anunciar pedido de recuperação extrajudicial na véspera. De acordo com fato relevante do varejista, o plano abrange determinadas obrigações de pagamento sem garantia que não constituem obrigações correntes ou operacionais da companhia, no montante total de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.
Os analistas Renato Donatti, Pedro González e Alberto Moreno Arnaiz justificaram o rebaixamento da companhia pela “queima elevada de caixa decorrente”. Esse cenário é agravado por pagamentos de juros incompatíveis com a geração de caixa da empresa e por saídas de recursos relacionadas a contingências tributárias e trabalhistas.
A Fitch ressalta que a flexibilidade financeira do GPA piorou significativamente, e a empresa não tem alternativas além da reestruturação das dívidas com os credores existentes. Além de alertar para os riscos de refinanciamento consideráveis, com cerca de R$ 1,7 bilhão de dívidas vencendo em 2026.
A agência afirma que tem visibilidade limitada quanto à estrutura futura das dívidas e dos custos de refinanciamento.
De acordo com a agência, a nota de crédito da companhia sofrerá novo corte para “RD” (inadimplência restrita), se o plano de reestruturação for efetivamente assinado, o que a Fitch caracteriza como um evento de calote – poucas horas após a publicação do rebaixamento, o GPA comunicou ao mercado que o pedido de recuperação extrajudicial foi aceito pela justiça.
Em um cenário mais pessimista, a nota da companhia poderá ser cortada para ‘D’, caso a empresa não tiver sucesso nas negociações e entre com pedido de recuperação judicial.