A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a trend “caso ela diga não”, que viralizou nas redes sociais com vídeos de homens simulando agressões a mulheres caso elas recusassem pedidos de casamento. A violência contra mulheres nas redes sociais começa de maneira sutil e pode evoluir para agressões físicas na vida real, alertou o delegado da Polícia Federal Flávio Rolim em entrevista ao Bastidores CNN.
Segundo Rolim, o processo de normalização da violência contra mulheres no ambiente virtual ocorre em etapas, começando com conteúdos aparentemente inofensivos. “Muitas vezes o primeiro contato com esse conteúdo se dá ainda em um tom de brincadeira, muitas vezes veiculado por meio de memes”, explicou o delegado, destacando que essa abordagem sutil dificulta a moderação das plataformas.
Da brincadeira à cultura de ódio
O delegado ressaltou que o consumo contínuo desse tipo de conteúdo por jovens e adolescentes leva a uma perigosa “normalização da violência”. “O que era meme passa efetivamente a uma cultura de ódio”, afirmou.
Flávio Rolim explicou que essa evolução é particularmente preocupante quando atinge crianças e adolescentes que ainda estão com sua capacidade cognitiva em desenvolvimento.
Conforme essa escalada continua, o que começa como uma “brincadeira” pode avançar para ações concretas de segregação, negação de espaços de diálogo e, em casos extremos, incitação e prática efetiva de atos violentos contra mulheres.
Rolim enfatizou que combater esse problema exige uma atuação em múltiplas frentes. Embora a ação repressiva da Polícia Federal seja necessária, ele destacou a importância da prevenção por parte das plataformas digitais. “O ideal seria que esse conteúdo nem tivesse sido veiculado”, afirmou.