Porto de Paranaguá avança na agenda climática com Plano de Descarbonização

O Plano de Descarbonização da Portos do Paraná foi apresentado à comunidade portuária nesta quarta-feira (11), no Palácio Taguaré, sede administrativa da empresa pública. O documento analisa uma série de medidas para reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e foi elaborado pela Fundación Valenciaport — centro espanhol de inovação vinculado ao Porto de Valência, especializado em transição energética, novas tecnologias e combustíveis renováveis.

“A meta central de descarbonização da Portos do Paraná é a mesma da Organização Marítima Internacional (IMO): estabelecer emissões zero até 2050”, explicou o diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná, João Paulo Santana.

A construção do plano começou com o Inventário de Gases de Efeito Estufa, também elaborado pela Fundación Valenciaport e concluído no primeiro semestre de 2025. Segundo o gerente de Meio Ambiente da Portos do Paraná, Thales Trevisan, essa foi uma das etapas mais desafiadoras. “Chamamos empresa por empresa para verificar qual era o nível de cada uma em relação aos seus inventários”, declarou.

Durante o lançamento, especialistas em descarbonização apresentaram o projeto desenvolvido para a Portos do Paraná e as propostas de avanço. Entre as sugestões estão a melhoria na coleta de dados, estudos da demanda energética dos navios atracados e a eletrificação do cais, com a substituição de equipamentos operacionais movidos a combustíveis fósseis.

 

 

“A Portos do Paraná é um dos poucos portos latino-americanos que possuem um plano de descarbonização estruturado. Isso demonstra a inovação e o compromisso da administração do porto com a sustentabilidade”, declarou o diretor de Desenvolvimento Internacional da Fundación Valenciaport, Miguel Garín.

UNIÃO DA COMUNIDADE PORTUÁRIA – A próxima etapa será a implementação de grupos de trabalho com a comunidade portuária.

“O plano é um documento vivo, que pode ser revisitado e atualizado a qualquer momento”, afirmou o coordenador de Monitoramento e Qualidade da Diretoria de Meio Ambiente da Portos do Paraná, Vader Zuliane Braga.

Os grupos de trabalho terão como objetivo implementar projetos como a eletrificação de equipamentos, adequações em processos operacionais e novos padrões voltados à redução das emissões de GEE.

A coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade da Catallini Terminais, Gabriella Leal, acompanhou o evento e destacou o trabalho da empresa na elaboração do próprio inventário de gases de efeito estufa, iniciado em 2021. “Nossa perspectiva é conseguir executar o nosso plano de descarbonização ainda este ano”, afirmou.

Já a Cotriguaçu iniciou neste ano seu inventário de gases de efeito estufa para subsidiar futuras metas de descarbonização. “A descarbonização é uma demanda do setor portuário e de todo o planeta. Estamos engajados nesse processo, junto com a Portos do Paraná e a Aliança Brasileira para Descarbonização dos Portos”, declarou a analista sênior de ESG da Cotriguaçu, Simone Czarnobai.

Além do público presente, mais de 100 pessoas participaram do evento de forma on-line. Também ocorreram pitches (apresentações curtas e objetivas de soluções ou projetos) e exposições de empresas com soluções sustentáveis na área externa do auditório.

Uma das organizações participantes foi o Grupo Borelli, que apresentou o uso de caminhões movidos a Gás Natural Veicular (GNV) na rota entre o interior do Paraná e Paranaguá. Já a empresa Linck Máquinas, distribuidora oficial da Volvo, apresentou as vantagens da pá carregadeira elétrica para operações portuárias.

“A melhor forma de incentivar a sustentabilidade no setor é mostrar que a transição energética traz desafios, mas também gera oportunidades e vantagens competitivas”, afirmou o diretor de Transição Energética e Descarbonização da Fundación Valenciaport, Josep Sanz.

O IVENTÁRIO – O inventário foi elaborado com base na metodologia internacional do GHG Protocol, padrão global utilizado para medir, gerenciar e reportar emissões de gases de efeito estufa, e no Guia Metodológico para o Cálculo da Pegada de Carbono em Portos, publicado por Puertos del Estado.

No período analisado, as atividades do complexo portuário dos portos do Paraná emitiram cerca de 678 mil toneladas de CO₂ equivalente, distribuídas em três escopos de análise.

O Escopo 1 refere-se às emissões diretas da Autoridade Portuária e representou 2,7% do total.

O Escopo 2, relacionado às emissões indiretas do consumo de energia elétrica, somou 0,1%.

Já o Escopo 3, que inclui emissões indiretas das demais atividades relacionadas às operações portuárias — como terminais, transporte terrestre, serviços de apoio e navios — representou 97,1% das emissões de GEE.

NAVIOS VERDES – O estudo revelou que 89,2% das emissões de gases de efeito estufa registradas na região portuária em 2023 tiveram origem nos navios, e não nas atividades operacionais do porto.
Para incentivar práticas mais sustentáveis, a Autoridade Portuária concede prioridade de atracação aos chamados “navios verdes” — embarcações com melhor desempenho ambiental.

A medida está prevista no Regulamento de Programação, Operações e Atracações de Navios – edição 2023, que beneficia navios com matrizes energéticas voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa.

Outras iniciativas sustentáveis da Portos do Paraná
Desde 2019, a Portos do Paraná participa da COP (Conferência das Partes), evento anual das Nações Unidas voltado às mudanças climáticas.

A empresa pública também firmou parceria com o Porto de Rotterdam, na Holanda, para desenvolver projetos de energias renováveis nos portos de Paranaguá e Antonina. O memorando de entendimento, assinado em 2023, integra o programa Green Ports Partnership, com duração de três anos.

Além disso, a Portos do Paraná é o único porto público brasileiro com certificação EcoPorts, referência internacional em gestão ambiental portuária.

Fonte: PARANAGOV

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