Ahmad Donyamali, ministro do Esporte do Irã, afirmou nesta quarta-feira (10) que o país não pode participar da Copa do Mundo de 2026 após os Estados Unidos, coanfitriões do torneio, lançarem ataques aéreos contra o país ao lado de Israel, ação que resultou na morte do líder iraniano Ali Khamenei.
A Copa do Mundo costuma reunir as principais seleções do planeta, mas a história do torneio mostra que nem sempre todos os classificados entram em campo. Em diferentes momentos, decisões políticas, crises diplomáticas, dificuldades financeiras ou protestos contra a Fifa levaram países a abrir mão da competição.
Ao longo das décadas, alguns episódios ficaram marcados como exemplos de como fatores externos ao futebol podem interferir diretamente no torneio.
Quando política internacional interfere no futebol
Diversos episódios mostram como conflitos políticos já influenciaram a participação de seleções na Copa. Um dos casos mais conhecidos ocorreu nas Eliminatórias para o Mundial de 1974. A União Soviética se recusou a disputar a partida decisiva contra o Chile em Santiago porque o Estádio Nacional havia sido usado como local de detenção e tortura após o golpe militar no país.
Outro episódio ocorreu antes da Copa de 1958. Egito e Sudão se recusaram a enfrentar Israel em uma eliminatória por motivos políticos. A situação gerou uma sequéncia incomum de recusas até que País de Gales acabasse convidado para disputar a vaga.
Protestos contra decisões da Fifa
Nem todos os boicotes surgiram por conflitos internacionais. Em alguns casos, as próprias decisões da Fifa provocaram reações.
Em 1938, Argentina e Uruguai desistiram de disputar o Mundial depois que a entidade decidiu manter a competição na Europa, desta vez na França. As federações sul-americanas esperavam que o torneio voltasse ao continente após a edição de 1934, na Itália.
Outro momento marcante ocorreu nas Eliminatórias para a Copa de 1966. Dezesseis seleções africanas abandonaram a disputa em protesto contra o formato das vagas, que obrigava equipes do continente a enfrentar adversários de outras regiões para chegar ao Mundial. A pressão levou a Fifa a garantir uma vaga direta para a África na edição seguinte.
Custos e logística já impediram participações
Nas primeiras décadas da Copa, viajar para disputar o torneio também era um desafio. Em 1950, várias seleções europeias desistiram de participar do Mundial no Brasil por causa dos custos e da complexidade da viagem.
França, Portugal, Turquia e Irlanda abriram mão da competição por questões logísticas. A Índia também não participou, principalmente por limitações financeiras e pela prioridade dada aos Jogos Olímpicos na época.
O caso ùnico do Uruguai campeão ausente
Um dos episódios mais curiosos da história das Copas envolve justamente um campeão mundial. O Uruguai, vencedor da primeira edição em 1930, decidiu não disputar o Mundial de 1934, realizado na Itália.
A decisão foi interpretada como uma resposta ao baixo número de seleções europeias que viajaram para Montevidéu quatro anos antes. Até hoje, o país segue como o ùnico campeão que não tentou defender o título na edição seguinte.