Segundo as investigações conduzidas pelo CyberGAECO (Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público) e pela 32ª DP (Taquara), dos cinco mandados de prisão, quatro já foram cumpridos. Além disso, as equipes também cumprem 36 mandados de busca e apreensão em 11 estados do país, em endereços ligados tanto a integrantes do grupo quanto a compradores do material.

As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e Paraíba. Forças de segurança de Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Bahia e Roraima também auxiliam no cumprimento de ordens judiciais. A operação conta ainda com cooperação de órgãos internacionais.

De acordo com as autoridades, cinco integrantes da organização criminosa foram denunciados à Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.

Investigação começou após alerta internacional

As investigações tiveram início após um órgão internacional enviar ao CIBERLAB (Laboratório de Operações Cibernéticas), ligado ao Ministério da Justiça, um alerta sobre um usuário de rede social suspeito de desenvolver e comercializar armamentos produzidos por impressão 3D.

A partir desse compartilhamento de informações, os investigadores identificaram a atuação de um grupo estruturado voltado à produção e disseminação de armamentos conhecidos como “armas fantasmas”, que não possuem número de série ou registro oficial e podem ser montadas com peças de fácil acesso.

Segundo a apuração, o líder da organização é um engenheiro especializado em controle e automação, apontado como o principal responsável pelo desenvolvimento técnico do armamento. Utilizando pseudônimo na internet, ele divulgava testes balísticos, atualizações de design e orientações detalhadas sobre calibração, materiais de impressão e montagem das armas.

Ainda de acordo com a investigação, o suspeito produziu e distribuiu um manual com mais de 100 páginas, descrevendo todas as etapas para fabricação das armas. O material permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D montassem o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo.

Estrutura do grupo e difusão dos projetos

As apurações apontaram que o principal produto disseminado pela organização era um modelo de arma semiautomática produzido com peças impressas em 3D combinadas a componentes não regulamentados.

O projeto foi divulgado na internet acompanhado de um manual técnico e de um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas. O conteúdo circulou em redes sociais, fóruns e ambientes da dark web, ampliando a difusão do modelo e criando uma rede de usuários interessados na produção das chamadas armas fantasmas.

Segundo os investigadores, além da divulgação técnica, o líder participava de debates online, incentivava a produção das armas e utilizava criptomoedas para financiar as atividades.

A investigação também identificou outros três integrantes com funções específicas dentro do grupo. Um deles prestava suporte técnico direto aos interessados na fabricação das armas; outro atuava como divulgador e analista do projeto; e o terceiro era responsável pela propaganda e pela identidade visual utilizada na divulgação do material.

Venda de carregadores e compradores em vários estados

Entre os produtos comercializados estavam carregadores alongados para pistolas de diferentes calibres, produzidos em impressoras 3D na residência do principal investigado. O material era vendido em plataformas online.

Segundo a investigação, entre 2021 e 2022, pelo menos 79 compradores adquiriram peças produzidas pelo grupo. Nos anos seguintes, as negociações teriam passado a ocorrer por meio de outros canais digitais.

Os compradores identificados estão distribuídos em 11 estados brasileiros. De acordo com os investigadores, parte deles possui antecedentes criminais, incluindo registros relacionados ao tráfico de drogas e outros crimes.

No estado do Rio de Janeiro, foram identificados dez compradores em cidades como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e na capital.

As equipes da 32ª DP (Taquara) cumprem seis mandados de busca e apreensão no estado, incluindo endereços no interior, na Região dos Lagos e em bairros da capital, como Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca. A ação conta com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.

A Polícia Civil também enviou equipes a São Paulo para cumprir os mandados de prisão contra o líder do grupo e outros integrantes investigados. As diligências continuam em diferentes estados com apoio das polícias civis locais.



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