O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se antecipou a um problema já amplamente esperado e anunciou nesta quinta-feira (12) a decisão de zerar impostos federais cobrados sobre o diesel. A medida vem como uma vacina eleitoral para uma alta no preço dos combustíveis, puxada pela oscilação do petróleo no mercado internacional.
Diante do agravamento do conflito no Irã, é consenso que o Brasil se beneficia no curto prazo de uma alta do petróleo, principalmente na ótica das exportações feitas pela Petrobras. Mas a consequência mais profunda é a forte pressão sobre os preços, com um esperado efeito em cascata que alcança o bolso do consumidor em ano eleitoral.
Lula já esgotou qualquer margem de segurança nesse quesito. Com a popularidade desgastada nas últimas pesquisas de intenção de voto, um aumento dos preços na bomba seria difícil de digerir pelo eleitor. A isso, se soma a consequente alta do frete e, na ponta, do preço dos alimentos. Para completar, vem a dificuldade de o Banco Central viabilizar um corte progressivo na taxa básica de juros. Isso só para citar alguns efeitos.
Mas Lula foi além de um simples plano para se blindar do aumento. Trouxe consigo a figura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ao mesmo tempo em que jogava no colo de governadores o pedido para que cortem impostos estaduais, Lula passava o microfone ao seu candidato ao Palácio dos Bandeirantes. E, assim, o ministro que por meses foi chamado de “Taxad” nas redes sociais virou protagonista do anúncio da redução de impostos.