Três pessoas foram presas, nesta terça-feira (17), em Porto Seguro e Prado, durante uma operação integrada das forças de segurança no Extremo Sul da Bahia. Entre os detidos, estão dois caciques e um indígena. A ação investiga suspeitos de envolvimento em conflitos entre produtores rurais e indígenas na região.

Segundo a SSP-BA (Secretaria da Segurança Pública), as prisões ocorreram nas áreas onde os confrontos têm sido registrados, incluindo o local em que duas turistas gaúchas foram baleadas, em fevereiro deste ano.

A ação reúne as operações Sombras da Mata II e Tekó Porã II, com atuação conjunta das polícias Federal e Rodoviária Federal, além da SSP-BA (Secretaria da Segurança Pública da Bahia), que inclui as polícias Militar, Civil e Técnica, o Corpo de Bombeiros Militar e a Força Nacional.

Segundo as autoridades, os três detidos eram foragidos da Justiça e são investigados por crimes como invasões de terra, porte ilegal de arma de fogo, homicídios, ameaças, esbulho possessório, cárcere privado, tentativa de homicídio e roubo de veículos, maquinários agrícolas e equipamentos eletrônicos.

Os presos são Caíque Suruí e o cacique Aruã. Durante as diligências, equipes localizaram um fuzil, além de carregador e farta quantidade de munições, que, segundo as autoridades, estava em posse de Suruí.

As operações foram deflagradas nas primeiras horas da manhã e têm focos distintos dentro do cenário de conflitos na região. Na Sombras da Mata II, os mandados são direcionados a indígenas investigados por crimes relacionados à disputa por terras. Já a Tekó Porã II tem como objetivo cumprir ordens judiciais contra suspeitos armados de ataques a comunidades indígenas em propriedades rurais.

Os mandados foram expedidos pela Vara Federal e Criminal da Subseção Judiciária de Teixeira de Freitas, no sul da Bahia. As forças de segurança informaram que as ações seguem em andamento, com cumprimento de novas ordens judiciais e reforço de medidas preventivas.

Ataque a turistas expõe tensão na região

As mulheres, de 55 e 57 anos, foram baleadas na manhã do dia 24 de fevereiro, quando seguiam de carro por uma estrada vicinal em uma área marcada por conflitos fundiários e encontraram um bloqueio na via. Ao tentar desviar, o veículo foi atingido por disparos feitos por um grupo com os rostos pintados, conforme informações da SSP-BA. Um homem que também estava no carro não foi ferido.

A estrada fica no território indígena de Comexatibá, região em disputa entre indígenas e fazendeiros. Em novembro de 2025, o Ministério da Justiça declarou a área como posse permanente do povo Pataxó.



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