O diesel brasileiro abriu a semana com um preço 74% mais barato que o comercializado no exterior, equivalente a uma defasagem de R$ 2,68 por litro. Isso significa que o valor vendido nas refinarias do Brasil chegou a quase R$ 3 abaixo do praticado no mercado internacional, situação que gera preocupação quanto ao abastecimento do combustível no país.

Em entrevista ao CNN Money, Sérgio Araújo, presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), explicou os riscos dessa diferença. “Essa defasagem muito elevada, que é fruto de uma prática de preço artificial pelas refinarias da Petrobras, causa diversos transtornos”, afirmou Araújo.

O principal problema, segundo ele, é o risco de desabastecimento, uma vez que o Brasil depende da importação de cerca de 30% do diesel consumido internamente. Com a defasagem, as operações de importação se tornam arriscadas, já que os importadores precisam comprar o produto a preço de mercado internacional e competir internamente com valores artificialmente baixos.

Impacto nas diferentes regiões do país

Araújo destacou que a situação afeta de maneira desigual as diferentes regiões do Brasil. “Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que dependem mais de produtos do diesel importado e de diesel produzido pelas refinarias privadas, ficam mais sujeitas a preços elevados e também a um maior risco de desabastecimento”, explicou.

Segundo o presidente da Abicom, o mês de março está com o abastecimento garantido, pois as negociações de importação aconteceram antes do início da guerra na Ucrânia, em 28 de fevereiro. No entanto, para abril, a situação é mais preocupante. Dados da ANP já mostram uma queda de quase 60% nas importações em comparação com o mesmo período do ano passado.

Medidas governamentais insuficientes

Sobre as medidas anunciadas pelo governo, como a subvenção de até R$ 1,20 por litro (dividida entre Estados e União), Araújo considera que não resolvem o problema. “Nós estamos falando de R$ 0,32 somados ao eventual R$ 1,20, a gente vai chegar a R$ 1,52, e nós estamos falando de defasagens que flutuam em torno de R$ 2,60, R$ 2,70, ou seja, perto de R$ 3,00 por litro”, calculou.

Para o representante da Abicom, a solução seria a Petrobras alinhar seus preços aos do mercado internacional. “Ao não fazer isso, ela está deixando muito dinheiro sobre a mesa e, sem dúvida, prejudicando o resultado dos seus acionistas”, observou.

Araújo sugere que, para amenizar o impacto do aumento de preços para os consumidores, o governo deveria criar um subsídio temporário com recursos públicos, possivelmente utilizando o excedente de receita com royalties e participação especial que aumenta em momentos de alta do petróleo. “Esse tipo de programa de subvenção para aliviar os consumidores deve ser feito pelo governo e não por empresas privadas”, concluiu.



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