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A notícia de um possível cessar-fogo no Oriente Médio trouxe alívio para os mercados globais e provocou queda nos principais contratos de petróleo.

No entanto, o setor de energia no Brasil segue em alerta devido à crescente defasagem entre os preços internos e externos dos combustíveis, especialmente do diesel, que já beira os R$ 3.

Um problema estrutural agrava a situação: as refinarias brasileiras não são capazes de processar o petróleo do pré-sal.

Isso obriga o país a importar cerca de 25% do diesel consumido internamente, percentual que pode chegar a 30% durante a safra de grãos, quando a demanda aumenta devido à dependência do setor agrícola pelo modal rodoviário.

Risco de desabastecimento

A ANP (Agência Nacional do Petróleo) solicitou que a Petrobras retome com urgência os leilões de combustíveis para abastecer as distribuidoras. A estatal suspendeu um leilão que estava programado para 16 e 17 de abril, alegando que o navio petroleiro que traria o combustível não chegaria a tempo. No Rio Grande do Sul, já começam a surgir focos de desabastecimento.

“Não adianta o governo ficar colocando polícia para fiscalizar posto se a Petrobras não está fazendo os leilões para abastecer as distribuidoras e estas sim abastecerem os postos de combustíveis”, alerta Rita Mundim.

Segundo Mundim, é fundamental que a Petrobras reassuma seu protagonismo no abastecimento nacional: “É melhor com preço para cima do que não chegar. Nós não podemos ter esse risco de novo de apagão do setor rodoviário”.

Crise energética global

Especialistas internacionais alertam que a crise energética é mais séria do que aparenta. O diretor executivo da Agência Internacional de Energia tem se manifestado de forma contundente sobre a gravidade da situação.

Houve destruição de equipamentos de refino e de produção de petróleo nos países do Oriente Médio, o que comprometerá a oferta mesmo que o Estreito de Hormuz seja reaberto sem bloqueios.

O Goldman Sachs já revisou suas projeções para o preço médio do barril de petróleo em 2026, elevando-o para cerca de US$ 90, bem acima dos US$ 60 a US$ 70 estimados antes do conflito.

“Há uma preocupação maior no resto do mundo do que essa tranquilidade que nós estamos levando aqui no Brasil”, observa Rita Mundim.

Impacto fiscal

Enquanto o governo estuda uma subvenção de R$ 1,20 por litro de óleo diesel (R$ 0,60 do governo federal e tentativa de composição com governos estaduais para os outros R$ 0,60), foi anunciado um bloqueio no orçamento porque as despesas com o BPC (Benefício de Prestação Continuada) e com o Programa Nacional de Alimentação Escolar já estouraram nos dois primeiros meses do ano.

O superávit previsto de 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto) para 2026, que equivaleria a R$ 34,9 bilhões conforme o arcabouço fiscal, já foi reduzido para R$ 3,5 bilhões.

“É um país que não tem caixa, não tem dinheiro, tentando cortar impostos e criar subvenções. Mas de onde vai sair esse dinheiro? E aonde vai parar o cumprimento do arcabouço fiscal?”, questiona Rita Mundim.



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