Etanol ganha protagonismo
O principal movimento da próxima safra, segundo a consultoria, será a ampliação da produção de etanol, tanto de cana quanto de milho, em resposta ao aumento da demanda doméstica, às mudanças na política de combustíveis e à Guerra no Oriente Médio.
A produção de etanol hidratado de cana no Brasil deve crescer 8,21%, alcançando 21,1 bilhões de litros, enquanto o etanol anidro tem projeção de alta ainda mais expressiva, de 14,24%, para 14,68 bilhões de litros. “O etanol de milho também segue em expansão, com crescimento relevante tanto no hidratado quanto no anidro”, comenta Muruci
Esse movimento está diretamente ligado ao aumento da mistura de etanol na gasolina. A Safras & Mercado destaca que a elevação do teor de anidro, de E27 para E30 e possivelmente para E35, deve impulsionar fortemente a demanda. Segundo a consultoria, cada ponto percentual adicional na mistura representa cerca de 920 milhões de litros de demanda ao ano, podendo gerar um acréscimo de até 4,6 bilhões de litros com a possível nova elevação.
Açúcar perde espaço no mix
Com a maior atratividade do etanol, o mix de produção da nova safra será de 53% do volume de cana destinado ao etanol, ante 51% na safra anterior, enquanto a participação do açúcar recuará para 47%. Com isso, haverá queda de 7,36% na produção brasileira de açúcar, para 40,3 milhões de toneladas. No Centro-Sul, principal polo produtor, o recuo será ainda mais evidente: de 40 milhões para 37 milhões de toneladas.
A menor produção de açúcar deve impactar diretamente o mercado externo. As exportações brasileiras do produto estão projetadas em 29 milhões de toneladas, queda de 14,2% frente ao ciclo anterior. Na avaliação da SAFRAS & Mercado, o cenário reforça uma mudança estrutural no setor sucroenergético brasileiro, com o etanol ganhando protagonismo diante de uma combinação dos seguintes fatores: maior demanda interna por biocombustíveis, políticas de descarbonização e melhor rentabilidade que o açúcar no mercado internacional.