A Polícia Federal prendeu, na última segunda-feira (23), em flagrante, a professora da Unicamp Soledad Palameta Miller, suspeita de furtar material biológico armazenado no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada. A docente foi liberada, mas a investigação que levou à prisão dela teve início com o desaparecimento de amostras virais no dia 13 de fevereiro.  

Soledad estava na Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu, em São Paulo, mas teve a liberdade provisória concedida pela Justiça de São Paulo e foi liberada na última terça-feira (24).  

A professora está proibida de acessar os laboratórios da Universidade Estadual de Campinas relacionados à investigação e não poderá sair do País sem a prévia autorização judicial. 

A Polícia Federal realizava investigações sobre o desaparecimento de amostras virais armazenadas em uma área classificada como NB-3, ambiente de alta contenção biológica e submetido a protocolos rigorosos de biossegurança, quando identificou a investigada.  

O desaparecimento aconteceu no dia 13 de fevereiro e foi anunciado por uma pesquisadora que possui acesso ao local onde ficam armazenados. 

A PF informa que foram encontradas amostras virais em outros laboratórios do campus que pertenciam ao Laboratório de Virologia Animal. Os materiais foram encontrados em freezers e descartados em lixeiras com sinais de manipulação.   

Além disso, as diligências apontam que a professora acessou diferentes laboratórios, aos quais não possui acesso, com auxílio de terceiros, com a intenção de manipular as amostras biológicas.  

Segundo funcionários da universidade, Soledad não tinha laboratório próprio e usava espaços emprestados por outros professores. 

A docente atua na área de Ciência de Alimentos do Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição. É biotecnologista pela Universidade Nacional de Rosario (Argentina) e doutora em Ciências na área de Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde pela Unicamp.  

Ela atuou também no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) desenvolvendo projetos na área de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais voltados para a terapia de câncer. 

Segundo a apuração do Estadão, a defesa de Soledad afirmou que, em virtude do sigilo decretado pela 9.ª Vara Federal de Campinas, não iria se pronunciar sobre os fatos investigados. 



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