Agravada por tensões geopolíticas e episódios de guerra, a escalada nos preços dos combustíveis tem provocado efeitos diretos no comportamento do consumidor brasileiro e aberto espaço para o avanço dos carros elétricos.
É neste cenário que a BYD pretende avançar. Segundo o CMO da companhia no Brasil, Pablo Toledo, o momento é de forte interesse do público, impulsionado tanto pelo cenário econômico quanto pela crescente confiança na tecnologia elétrica.
O modelo Dolphin Mini foi o mais vendido no ranking mensal do varejo em fevereiro, com 4.094 unidades vendidas. Essa é a primeira vez que um carro elétrico supera modelos a combustão no ranking.
“A gente está muito perto de atingir um recorde histórico no número de carros elétricos vendidos também em março”, declarou Toledo.
A produção nacional também aparece como fator-chave para a confiança do consumidor. A fábrica em Camaçari (BA) já opera em ritmo acelerado.
“Hoje a gente já tem um carro por minuto produzido”, revelou.
A montadora ainda pretende ampliar a nacionalização da produção, expandir a rede de concessionárias – atualmente com mais de 200 unidades – e transformar o país em um polo exportador.
“Já recebemos uma encomenda do México de 50 mil carros e da Argentina de 50 mil carros”, disse Toledo. “O Brasil vai ser também um hub de exportação.”
Apesar do avanço, Toledo reconhece que o tema ainda gera dúvidas entre consumidores, citando questões recorrentes como infraestrutura de recarga, instalação em residências e durabilidade das baterias.
No entanto, a alta do combustível tem auxiliado a empresa quando o assunto é cálculo do consumidor.
“A BYD acaba se beneficiando de um episódio triste como é uma guerra”, assumiu Toledo.
Para o CMO, a consolidação da marca no Brasil passa também por uma estratégia de posicionamento e presença cultural: “Eu arrisco a dizer que a BYD é a primeira marca de desejo chinesa do Brasil. A presença em novela, futebol e programas de auditório trouxe a marca para o conhecimento do brasileiro”, afirmou.