Com ataques às duas maiores fundições de alumínio do Oriente Médio no fim de semana, o Irã atingiu importantes fornecedores dos Estados Unidos de um metal estratégico que a maior economia do mundo não produz internamente em quantidade suficiente, disseram analistas.

Antes do fim de semana, os transtornos causados ​​pela guerra com o Irã se concentravam na dificuldade de transporte de alumínio e matérias-primas pelo Estreito de Ormuz, que foi efetivamente fechado por Teerã.

Mas no sábado (28), a EGA (Emirates Global Aluminium) afirmou que sua unidade de Al Taweelah, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, com capacidade de produção de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas métricas por ano, sofreu danos significativos em decorrência dos ataques iranianos.

A Aluminium Bahrain informou que a sua fábrica, com capacidade de produção de 1,6 milhão de toneladas por ano, também foi alvo de ataques no mesmo dia.

Nenhuma das empresas forneceram atualizações sobre as suas operações desde então. Mas os ataques mudaram abruptamente as preocupações de interrupções temporárias no transporte marítimo para uma ameaça potencialmente mais séria à produção na região.

“Isso muda a natureza do risco”, escreveu Paul Adkins, chefe da consultoria de alumínio da AZ Global, no LinkedIn.

Os preços do alumínio na LME (Bolsa de Metais de Londres), CMAL3, reagiram nesta segunda-feira (30), com um salto de 6%, atingindo US$ 3.492 por tonelada, próximo da máxima em quatro anos.

“Nesse tipo de mercado, quando você retira repentinamente 3 milhões de toneladas de capacidade, ela não pode ser substituída”, disse Tom Price, analista da Panmure Liberum.

A produção doméstica dos Estados Unidos é insignificante em comparação com a do Oriente Médio.

O alumínio, amplamente utilizado em carros e embalagens e incluído na lista de 60 minerais que o governo dos Estados Unidos considera críticos, está agora vendo os riscos em sua cadeia de suprimentos se tornarem realidade.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos o país têm uma dependência líquida de 60% das importações de alumínio. Em 2025, ele produziu apenas 660 mil toneladas de alumínio primário, menos da metade da produção da Alba.

Das 3,4 milhões de toneladas de importações totais de alumínio primário e ligado dos Estados Unidos no ano passado, os suprimentos do Oriente Médio representaram quase 22%, de acordo com o provedor de informações, Trade Data Monitor.

Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, que por meio da EGA e da Alba representam mais de dois terços da produção de alumínio da região do Golfo, foram o segundo e o quarto maiores fornecedores dos Estados Unidos, respectivamente.

O Irã afirmou que tanto a EGA quanto a Alba estavam ligadas às indústrias militares dos Estados Unidos, e os ataques ocorreram após atentados israelenses contra duas siderúrgicas iranianas.

Os analistas, no entanto, estão céticos.

“Não há ligação direta com as forças armadas dos Estados Unidos, além do fato de que parte do metal utilizado por elas pode eventualmente ser destinado a aplicações militares por meio de uma longa cadeia de transações e processamento”, afirmou Uday Patel, gerente sênior de pesquisa da Wood Mackenzie.

A Wood Mackenzie estima que as indústrias militares e de defesa dos Estados Unidos consumam 450.000 toneladas de alumínio anualmente.

Price afirmou acreditar que as forças armadas dos Estados Unidos obtêm a maior parte do alumínio do Canadá.

Mas, embora as forças armadas dos Estados Unidos possam não ser diretamente afetadas, isso não significa que os ataques do Irã à produção do Golfo e um possível aprofundamento do conflito não estejam causando danos ao país e a outras grandes economias.

“As tensões já começam a se manifestar na atividade industrial e a dificultar ainda mais o planejamento, que já vinha sofrendo com altos níveis de incerteza”, escreveu a analista da StoneX, Natalie Scott-Gray, em um relatório.



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