A mídia estatal iraniana informou nesta terça-feira (31) que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país está pronto para cessar-fogo, desde que tenha a garantia de que não será atacado novamente.
“Nunca buscamos tensão ou guerra em nenhum momento, e temos a determinação necessária para pôr fim a esta guerra se as condições necessárias forem atendidas, especialmente as garantias necessárias para evitar uma nova agressão”, disse Pezeshkian, segundo a Press TV.
A emissora divulgou as declarações de Pezeshkian em um artigo sobre a conversa do presidente iraniano com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Reportagens sobre comentários nesse sentido impulsionaram as ações por volta do meio-dia de hoje, após uma recuperação anterior devido a declarações de autoridades do governo Trump sobre o fim da guerra.
O comunicado de Costa sobre a ligação não mencionou os supostos comentários de Pezeshkian. A CNN entrou em contato com o gabinete de Costa para obter um posicionamento.
A Press TV noticiou que Pezeshkian criticou a UE (União Europeia) durante a ligação telefônica por não ter sido suficientemente veemente em suas críticas à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
“A UE deveria calibrar suas políticas e posicionamentos com base no direito internacional e em consonância com as regras de interação construtiva e profissional com outras partes”, disse Pezeshkian.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou à Al Jazeera na terça-feira que o Irã não está atualmente em negociações com os Estados Unidos, embora tenha recebido mensagens do governo Trump.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.