A guerra no Oriente Médio representa um “duro golpe” para um dos corredores econômicos mais importantes do mundo em termos estratégicos, na avaliação do diretor do Departamento do Oriente Médio e Ásia Central do FMI (Fundo Monetário Internacional), Jihad Azour.
Em comentários para a imprensa nesta quinta-feira (16), após o FMI divulgar o documento atualizado de perspectivas econômicas regionais, ele avaliou que o acordo de cessar-fogo anunciado em 7 de abril é “um desenvolvimento bem-vindo e um passo importante” rumo à redução da escalada da guerra.
“No entanto, a incerteza permanece excepcionalmente alta e muito depende da manutenção do cessar-fogo e da restauração da estabilidade global e regional”, ponderou o diretor.
Para o FMI, no cenário de referência – que pressupõe que as interrupções comecem a diminuir em meados de 2026 e que os preços do petróleo fiquem em média em torno de US$ 82 por barril – o crescimento global deverá desacelerar para 3,1% em 2026 e 3,3% em 2027, abaixo da média de 3,7% registrada entre 2000 e 2019.
No cenário adverso, com os preços do petróleo em média a US$ 110/barril em 2026, o crescimento global deve cair para 2,6%, enquanto a inflação global pode subir para 5,4%.
No mesmo evento, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, disse ainda que é importante reconhecer a gravidade da situação atual, ainda que tenha recomendado para que não haja pânico.
A dirigente descreveu que o mundo está acostumado a movimentos rápidos, mas observou que ainda há áreas que se movem lentamente, citando que o deslocamento de um navio do estreito de Ormuz até o Pacífico demora 40 dias.
Azour ressaltou que outras consequências econômicas por conta da guerra nos países da região do Oriente Médio e da Ásia Central ainda dependem da duração do conflito, bem como da resiliência.
Georgieva recomendou a adoção de medidas para restringir a demanda como parte do combo para combater os preços mais altos da energia em decorrência da guerra no Oriente Médio.
Sobre o impacto da inteligência artificial na economia, a diretora-geral do FMI alertou que há vencedores e perdedores do processo e que é preciso dar atenção aos dois lados.
*Com informações da Broadcast/Estadão Conteúdo.