O presidente-executivo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci, criticou a proposta de alteração da escala de trabalho 6×1 durante entrevista à CNN Brasil.
Segundo Solmucci, a mudança está sendo tratada de forma “açodada” e pode trazer sérios impactos econômicos para o setor. Para o executivo, a proposta está sendo impulsionada por interesses eleitorais.
“O que a gente vê é que é uma pauta que esquentou só por interesse eleitoral e está sendo feita de uma maneira açodada, com pouquíssimo tempo para o parlamento discutir e para a sociedade conhecer os custos”, disse.
Impactos econômicos e operacionais
Solmucci exemplificou como a mudança afetaria um restaurante típico: “Um restaurante com seis empregados, em que a cozinheira trabalha seis dias da semana e ganha, por hipótese, R$ 1.000. Vai cair para cinco dias, dá R$ 200 por dia. Só que o consumidor quer o restaurante aberto todos os dias, do jeito que ele está hoje. Então tem que gastar mais R$ 200, 20% a mais”. Esse aumento, segundo ele, resultaria em um repasse de 7% a 8% nos preços dos cardápios.
Além do impacto financeiro, o presidente da Abrasel destacou a escassez de mão de obra como um desafio ainda maior.
“Nós hoje vivemos em pleno emprego e isso representa uma enorme dificuldade de encontrar a mão de obra. No nosso setor, temos mais de 500 mil vagas abertas”, explicou.
Diferença entre redução de jornada e mudança de escala
Durante a entrevista, Solmucci fez questão de diferenciar dois temas que, segundo ele, estão sendo confundidos no debate atual: a redução da jornada semanal de trabalho (de 44 para 40 horas) e a mudança na escala de trabalho 6×1.
“Nós temos dois assuntos em discussão hoje. Um é a redução da jornada, sair de 44 horas trabalhadas por semana para 40 horas. Essa é uma pauta que nós achamos muito boa, viável de discutir. Tem custo, claro, mas um custo mais acomodado, menor, 10%, e não influencia na oferta de mão de obra”, afirmou.
Já sobre a mudança na escala de trabalho, o posicionamento é diferente: “A outra questão é a mudança da escala de trabalho, de 6×1 para proibir qualquer pessoa trabalhar seis dias por semana, ela queira ou não queira. Isso jamais foi feito por lei em nenhum país. Não é verdade que há uma tendência mundial para isso“, destacou.
Solmucci concluiu alertando para os riscos sociais da medida, como a migração de trabalhadores de regiões mais pobres para áreas mais ricas em busca de oportunidades, o que poderia resultar em precarização dos serviços nas periferias e aumento do tempo de deslocamento dos trabalhadores.