O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que algumas autoridades dos Estados Unidos querem ter “ingerência” e tentam cometer “abusos com relação ao Brasil”.
As afirmações do presidente foram uma reação ao pedido do governo norte-americano de remoção de um delegado da PF (Polícia Federal) envolvido no caso da prisão de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
Lula disse ainda que pode adotar o princípio da reciprocidade e expulsar policiais estadunidenses em serviço no Brasil caso o governo chegue à conclusão de que houve “abuso” dos Estados Unidos em relação ao pedido de remoção.
“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa”, disse o presidente pouco antes de deixar Hannover, na Alemanha, em direção a Lisboa, última escala de seu giro pela Europa.
“Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas autoridades americanas querem ter com relação ao Brasil”, disse ele.
Na segunda-feira (20), o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos divulgou uma mensagem nas redes sociais dizendo ter pedido que o delegado da PF Marcelo Ivo deixasse o país após ter feito o monitoramento que levou à prisão de Ramagem no país.
A mensagem diz que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”.
Também na Alemanha, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o pedido americano “não tem fundamento”, porque o delegado brasileiro trabalhava em conjunto com as autoridades americanas.
Vieira afirmou ainda que o governo brasileiro aguarda esclarecimentos dos Estados Unidos, visto que o que houve até aqui foram apenas afirmações feitas por meio das redes sociais, e não comunicados formais entre os governos.
“O delegado da PF que está em Miami trabalha em conjunto com as autoridades americanas e está lá justamente para isso. Essa função está baseada em um memorando de entendimentos entre a Polícia Federal brasileira e as autoridades americanas. Portanto, todos sabiam e trabalharam em conjunto. E nós estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas sobre a razão dessa medida que foi tomada”, disse ele.
O diretor Andrei Rodrigues acrescentou que o delegado da PF em Miami estava no posto “há mais de dois anos, fazendo atividades de cooperação policial”, como ocorre em 34 países.
Rodrigues disse que a PF agora aguarda esclarecimentos formais para, a partir disso, determinar que medidas podem ser tomadas com relação ao caso.