O ex-governador Cláudio Castro (PL), alvo recente de duas operações da PF (Polícia Federal), desistiu de disputar o Senado pelo Rio de Janeiro, mas não ficará longe das eleições.

Fora do palanque do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, ele seguirá como uma peça importante para o grupo, fazendo a articulação do partido nos municípios fluminenses.

A atuação de Castro também é considerada essencial para tentar eleger o candidato do PL ao governo do Rio, o deputado Douglas Ruas, atual presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Ruas foi secretário estadual de Cidades na gestão de Castro.

Pela atuação, o ex-governador acertou um salário de R$ 38 mil com a cúpula do PL. O valor, divulgado inicialmente pelo jornal “O Globo” e confirmado pela CNN, foi combinado em abril, depois de ele deixar o governo do Rio e antes de ser alvo de dois mandados de busca e apreensão da PF (Polícia Federal) em um intervalo de onze dias.

Investigado por favorecimento ao grupo Refit em um esquema de fraude no setor de combustíveis e também por ligação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o ex-governador vinha sendo cobrado a deixar a disputa para blindar a candidatura de Flávio no seu reduto eleitoral.

Cláudio Castro comunicou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a desistência da candidatura nesta quinta-feira (28).

Agora, Castro tem dito que é apenas um “funcionário” do PL e comparado a sua função ao do ex-presidente Jair Bolsonaro, que após perder a eleição também ganhou um cargo no partido.

O substituto de Castro na disputa pelo Senado deve ser indicado pelo diretório estadual do Rio, mas a palavra final será do senador Flávio Bolsonaro com o aval do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Estão cotados para ficar com a vaga na chapa de Flávio, pela direção estadual do PL, os deputados Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do senador Carlos Portinho, que, embora esteja no cargo, perdeu espaço na disputa à reeleição quando Castro anunciou que concorreria a uma vaga na Casa Alta.

A avaliação, neste momento, é que Carlos Jordy pode ser um ativo para Flávio Bolsonaro junto aos grupos do chamado bolsonarismo raiz, cujo apoio o senador vem buscando para sobreviver à crise causada pelos contatos com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Outro ponto citado como favorável ao deputado é o fato de ele ser autor de um pedido de CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar a fraude financeira bilionária.

Já o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, tem como ativo, segundo uma ala do partido, a entrada no eleitorado evangélico e, sobretudo, o fato de ser um quadro que demonstrou lealdade. A atuação dele na liderança também é elogiada pela cúpula do PL.

A desistência de Castro também abriu espaço para o senador Carlos Portinho buscar a reeleição. Ele chegou ao cargo após a morte do senador Arolde de Oliveira, de quem era primeiro suplente, em 2020. No mandato, o parlamentar ocupou cargos de liderança no Senado, mas, no PL, há dúvidas sobre a capacidade de Portinho de converter o desempenho político em votos.



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