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Concerto dos 41 anos da Orquestra Sinfônica do Paraná leva 4,3 mil pessoas ao Guaíra

O grande auditório do Teatro Guaíra, o Guairão, transformou-se em um grande palco de celebração da música brasileira na última quinta-feira e no domingo, dias 28 e 31 de maio. Mais de 4,3 mil pessoas prestigiaram o concerto “Grande Festa da Música Brasileira”, espetáculo que marcou os 41 anos da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) em uma homenagem a alguns dos maiores compositores do país.

Considerado um dos projetos mais robustos da temporada 2026 da OSP, o espetáculo foi regido pelo maestro titular e diretor musical da orquestra, Roberto Tibiriçá, e mobilizou mais de 230 artistas entre músicos e coralistas, em uma das maiores montagens já realizadas pela OSP em seus concertos de aniversário. 

A maior formação ocorreu durante a execução da cantata profana “Mandu-Çarará”, de Heitor Villa-Lobos, que reuniu simultaneamente no palco a orquestra, o coro sinfônico misto Ottava Bassa, regido por Alexandre Mousquer, e os coros infantis Papo Coral e Coral Curumim, regidos, respectivamente, por Cristiane Alexandre e Joyce Miriam Todeschini.

“É uma obra que une uma grande orquestra, com uma percussão enorme, se vocês prestarem atenção, até prato de cozinha tem. Villa-Lobos era muito doido, caía um ‘trem’ no chão, ele achava bonito e escrevia na partitura”, brincou o maestro Roberto Tibiriçá com a plateia. “O texto tem muito dialeto africano e coisas que o próprio Villa-Lobos criou. É muito legal”, completou.

A abertura ficou por conta do prelúdio da ópera “O Garatuja”, de Alberto Nepomuceno, considerada uma das obras pioneiras do nacionalismo musical brasileiro. Já o encerramento trouxe a força de “Maracatu de Chico Rei”, de Francisco Mignone, interpretada pela OSP e o coro sinfônico adulto em uma apresentação marcada pela riqueza das influências afro-brasileiras presentes na composição.

“É um orgulho para o Estado do Paraná ter uma orquestra desta qualidade. A Orquestra Sinfônica do Paraná está em uma fase incrível, crescendo cada vez mais”, destacou Tibiriçá na apresentação do dia 28, ao anunciar que o Serviço Social Autônomo PalcoParaná concluiu o processo seletivo para a contratação de mais 14 músicos para a OSP.

CONCERTO ACESSÍVEL – Os dois concertos de aniversário contaram com acessibilidade em Libras e audiodescrição, recurso que transforma em palavras informações visuais importantes do espetáculo. Durante uma apresentação, o profissional responsável descreve elementos como a entrada dos músicos, os gestos do maestro, as movimentações no palco, a organização dos naipes, os figurinos e outros detalhes que ajudam o público a compreender melhor o que acontece em cena.

Embora seja voltada principalmente para pessoas com deficiência visual, a audiodescrição também pode auxiliar pessoas idosas, autistas, com TDAH, deficiência intelectual e outros públicos que se beneficiam de informações complementares durante a apresentação. 

“Em concertos, a audiodescrição traz as informações que estão além da música, além do que o ouvido pode ouvir”, destaca a audiodescritora Raquel Carissimi, que coordenou o trabalho. O serviço é realizado em uma cabine acústica instalada no fundo da plateia, para que a narração não interfira na experiência do restante do público.

O engenheiro de software Marlon Brandão e sua esposa, a bancária Gisele Brandão, são deficientes visuais e apaixonados por música clássica. Eles prestigiaram a apresentação do dia 28 utilizando fones de ouvido para acompanhar a audiodescrição. “A gente ficou muito surpreso, de forma positiva, ao chegar ao teatro e descobrir que agora existe um serviço de audiodescrição. Principalmente em concertos, é muito interessante ter noção de como os instrumentos estão distribuídos no palco e de como músicos e cantores estão vestidos”, afirma Marlon.

“Quando eu era pequeno e ouvia música clássica, sempre tive curiosidade de saber como essas coisas funcionavam, como os instrumentos se posicionavam, o que um spalla fazia. Na minha época, simplesmente isso não existia. É muito bom saber que temos o mesmo nível de informação que as pessoas que enxergam”, completou.

“Isso é essencial para que uma pessoa com deficiência visual tenha total acesso ao espetáculo. A música a gente ouve, mas as cenas a gente precisa que sejam descritas”, disse Gisele, que também é cantora lírica.

A partir de agora, todos os espetáculos dos corpos artísticos do Teatro Guaíra (Orquestra Sinfônica do Paraná, Balé Teatro Guaíra, Escola de Dança Teatro Guaíra e G2 Cia. de Dança) contam com sessões com Libras e audiodescrição. A iniciativa amplia o acesso à cultura e permite que mais pessoas possam vivenciar a experiência da música e da dança.

PÚBLICO – Igor Pupo, agente de polícia, mora em Joinville (SC) e veio para Curitiba especialmente para assistir à apresentação da OSP. “Hoje, ainda mais com a presença das crianças do coral, foi incrível. Toda oportunidade que tenho de assistir à Orquestra Sinfônica do Paraná vale a pena”, disse. “A estrutura do Guaíra é fenomenal. A gente já chega impressionado com a magnitude do teatro. É incrível como tudo funciona, inclusive com tanto fluxo de pessoas, e ainda assim tudo dá certo”, afirmou.

“O concerto foi incrível. Me deu ainda mais vontade de entrar para uma orquestra profissional, que é o meu sonho”, disse o músico Victor Américo da Silva, que também esteva na plateia. “É impressionante perceber o quanto a nossa música é rica e como ela mexe com a gente. É dançante, cheia de percussão. É mágico.”

PRÓXIMAS APRESENTAÇÕES – A Orquestra Sinfônica do Paraná volta ao Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão, para o novo espetáculo do Balé Teatro Guaíra, “GiselleS”, com direção-geral de Luiz Fernando Bongiovanni e regência do maestro convidado Gabriel Rhein-Schirato. A obra é uma releitura contemporânea de “Giselle”, balé romântico clássico composto por Adolphe Adam sobre um libreto de Jules-Henri Vernoy de Saint-Georges e Théophile Gautier, interpretado pela primeira vez pelo Balé da Ópera Nacional de Paris em 1841.  

As sessões de “GiselleS” serão nos dias 13 e 14 e de 18 a 21 de junho, de quinta a sábado, às 20h30, e aos domingos, às 18 horas. Os ingressos são vendidos a preços populares, de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), pelo DiskIngressos e na bilheteria do Teatro Guaíra.

Serviço:

“GiselleS” – Balé Teatro Guaíra, com participação da Orquestra Sinfônica do Paraná

Dias: 13 e 14 (sábado e domingo) e de 18 a 21 (quinta a domingo) de junho de 2026

Horários: quinta a sábado, às 20h30; domingo, às 18 horas

Local: Teatro Guaíra – Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão) – Rua Conselheiro Laurindo, 175, Centro – Curitiba

Tempo de duração do espetáculo: Aproximadamente 1h30

Classificação etária: 6 anos

Programa: Adolphe Adam: Giselle

Regente convidado: Gabriel Rhein-Schirato

Ingressos: DiskIngressos e na bilheteria do Teatro Guaíra. Lugares marcados.

Fonte: PARANAGOV

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