Pela primeira vez, o governo brasileiro ofertou uma redução efetiva de tarifas para produtos americanos entrarem no Brasil. A proposta prevê redução de tarifas sobre máquinas e equipamentos industriais, além de produtos de tecnologia da informação não produzidos no Brasil, conforme apurou a CNN.
Agora, integrantes da gestão de Donald Trump estão avaliando a proposta apresentada na última quinta-feira (28), durante reunião do grupo de trabalho formado por representantes dos dois países. A expectativa é que haja um posicionamento de Washington sobre esta oferta já na próxima conversa, ainda sem data marcada para acontecer.
Na proposta apresentada, o Brasil não inclui diminuição tarifária nos setores de etanol, agropecuário nem de mineração. Também não oferece revisão de acordos bilaterais de preferência com outros países, como o Brasil firmou com México e Índia, por exemplo.
A CNN apurou que a ofensiva do Brasil tem o objetivo de esvaziar possíveis barreiras recomendadas a Trump pelo USTR (United States Trade Representative), o Representante Comercial dos Estados Unidos. O órgão americano deve fazer nos próximos dias uma manifestação preliminar no âmbito da investigação baseada na Seção 301, que apura eventuais práticas ilegais de comércio, conforme informou a CNN.
O grupo de trabalho proposto por Lula no encontro presencial com Trump na Casa Branca no dia 7 de maio funciona como um canal de negociação paralelo ao diálogo com as apurações do USTR. O GT foi concebido para durar cerca de 30 dias e avançar nas discussões tarifárias entre ambas as nações.
Na lógica dos negociadores brasileiros, caso os integrantes norte-americanos do grupo de trabalho aceitem a oferta de redução tarifária apresentada pelo Brasil no GT, na semana passada, poderia tornar sem efeito possíveis barreiras recomendadas pelo USTR, já que a base de reclamações sobre os impostos de importação cobrados pelo Brasil já estaria desatualizada.