O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de sete policiais civis acusados de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e proteção a integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), no âmbito da Operação Tacitus. Os agentes teriam sido delatados por Vinícius Gritzbach, assassinado no Aeroporto de Guarulhos em novembro de 2024.

A Operação “Tacitus”, deflagrada em dezembro de 2024 com apoio da Polícia Federal e da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, partiu do cruzamento de diversas investigações sobre o PCC, inclusive do homicídio do empresário. A ação prendeu o delegado Fábio Baena e outros três policiais.

Baena foi um dos citados por Gritzbach na delação premiada ao MP. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) investigou os crimes de manipulação e vazamento de investigações policiais, venda de proteção a criminosos e corrupção dos agentes para beneficiar esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa.

Em fevereiro de 2025, o Gaeco denunciou 12 pessoas envolvidas no esquema, dentro da segunda acusação no âmbito da “Tacitus”. Na época, o órgão apontou que Gritzbach “exerceu papel estruturante na construção e funcionamento de um sofisticado esquema financeiro ilícito”.

Operação Tacitus

Sete pessoas foram presas em 17 de dezembro de 2024 durante a ação, entre eles um delegado e três policiais civis. Os agentes cumpriram mandados nas cidades de Bragança Paulista, Igaratá, Ubatuba e na capital.

A investigação revelou o modo complexo que os investigados se estruturaram para exigir propina e lavar dinheiro para suprir os interesses da organização criminosa.

Veja quem é Fabio Baena, delegado da Polícia Civil de SP preso suspeito de envolvimento com o PCC

Em nota, a defesa de Fábio Baena afirmou que ficou indignada e que a prisão não tinha necessidade. Leia abaixo.

“A defesa constituída do Delegado de polícia Dr. Fábio Baena Martin e do investigador Eduardo Monteiro, indignada, esclarece que a prisão hoje cumprida não possui necessidade, idoneidade e se constitui em arbitrariedade flagrante. Inadmissível no Brasil se banalizar o direito à liberdade, decretando-se prisão midiática, sem contemporaneidade, e o mais grave, por fatos que já foram investigados e arquivados pela Justiça, por recomendação do próprio Ministério Público. A palavra pueril de um mitômano, sem qualquer elemento novo de prova, não poderia jamais motivar medida tão excepcional, afrontando o status dignitatis e libertatis dos nossos constituídos. Esclareça-se também que ambos compareceram espontaneamente para serem ouvidos e jamais causaram qualquer embaraço às repetidas investigações. Ademais, a defesa denuncia o gravíssimo fato que não se deu o Direito e oportunidade ao Delegado Baena contatar seus advogados avisando de sua prisão e do cumprimento do mandado de busca, o que somente reforça a ilegalidade denunciada. A defesa está tomando todas as medidas para fazer cessar, imediatamente, a coação espúria constatada”. 



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