Os Estados Unidos propuseram novas tarifas ao Brasil, e a soma das taxações pode chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros. A analista de Economia Lucinda Pinto explicou no Hora H desta quarta-feira (3) como duas cobranças distintas se acumulam para formar esse percentual total.
Segundo Lucinda, após a queda da última sobretaxa aplicada ao Brasil, o país passou a operar com uma taxa de 10%, que também deixará de valer em julho. O governo americano tentou renovar essa alíquota, mas sem sucesso.
Com isso, o cenário que se apresenta é a combinação de uma tarifa de 25%, relacionada a práticas comerciais, com uma adicional de 12,5%, vinculada à questão do trabalho forçado. “A gente passaria a ter uma tarifa de 37,5%“, afirmou Lucinda.
Apesar do número elevado, há um conjunto expressivo de isenções. De acordo com cálculos citados por Lucinda, 56,5% do total da pauta comercial brasileira estaria isenta da tarifa de 25%, enquanto 52,3% ficaria livre da cobrança de 12,5%.
“Mais de 50% de tudo que a gente exporta não pagaria nenhuma das duas tarifas”, destacou. Produtos como suco de laranja, aviões e carne bovina estão entre os itens que não seriam afetados por nenhuma das duas taxações.
Lucinda também ressaltou que o Brasil já demonstrou capacidade de adaptação em situações semelhantes. “Quando fica difícil exportar para os Estados Unidos, o Brasil consegue ir para mercados alternativos“, disse a analista.
Ela menciona Europa, Ásia e América Latina como destinos possíveis. Por conta disso, o impacto geral tende a ser limitado, ainda que presente.
Setores mais vulneráveis
No entanto, alguns segmentos estão mais expostos à dupla tarifação. Máquinas e equipamentos, agroindústria, armas, munição e têxteis são os setores que estariam sujeitos à taxa combinada de 37,5%.
O cenário reforça a percepção de que o governo americano estaria mais focado na indústria do que no agronegócio brasileiro.
O segmento de máquinas e equipamentos desperta preocupação adicional, pois os produtos são fabricados conforme a legislação americana, o que dificulta o desvio de comércio para outros mercados.
Além disso, os contratos do setor costumam ser de longo prazo, com encomendas feitas meses antes da entrega. “Para esses setores, é um impacto mais relevante“, concluiu Lucinda.