Após o cancelamento do leilão do Bloco 2 de rodovias do Rio Grande do Sul por falta de propostas, parlamentares e governador do estado trocam farpas sobre quais seriam os motivos da falta de interessados.
De um lado, o governador do Rio Grando do Sul, Eduardo Leite (PSD), disse que o “ambiente hostil” foi o responsável pela falta de propostas para o leilão, previsto para a próxima quarta-feira (10).
Segundo ele, o mercado tem tido apetite e interesse nos ativos rodoviários brasileiros, mas que a insistência para desqualificar a modelagem do leilão estadual afastou os investidores.
O governador se referiu às críticas que o leilão recebe desde o início do processo por parte dos deputados estaduais do Rio Grande do Sul. Os parlamentares pediam a suspensão da licitação afirmando que o valor do pedágio estava acima da média do estado.
Além disso, foi instalado, em janeiro, na assembleia legislativa local uma CPI dos Pedágios para investigar possíveis irregularidades nas concessões rodoviárias estaduais.
Além disso, o leilão, previsto para março deste ano, foi adiado após uma auditoria do TCE-RS (Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul), que determinou ajustes no edital. Após essas mudanças, o governo reduziu a tarifa-teto do pedágio por quilômetro, que passou de R$ 0,23 para R$ 0,18 e manteve o aporte público de R$ 1,5 bilhão para garantir a viabilidade do projeto.
O governador Leite também citou que as análises feitas pelo Estado mostraram que “a precificação das obras deste projeto está bastante apertada, sem margens para suportar eventuais riscos que as obras tenham”.
Por outro lado, o presidente da CPI dos Pedágios, o deputado estadual Paparico Bacchi (PL), disse que a falta de proponentes no leilão “confirma os alertas feitos pela comissão sobre a necessidade de rever o modelo proposto”.
O parlamentar rebateu a acusação feita pelo governador dizendo que a ausência de interessados não deve ser tratada como culpa da CPI, mas como sinal de que o projeto precisava ser reavaliado.
Para ele, o valor teto do pedágio é abusivo e critica o aporte do governo para viabilizar o projeto. Bacchi defende o uso desse aporte público para realizar investimentos em trechos do bloco que estava para leilão e de outro bloco estadual, que está sob a administração pública.
Neste mesmo sentido, o PT do Rio Grande do Sul disse que o “modelo proposto pelo governo não interessa nem à sociedade nem ao setor privado” e que as tarifas propostas na modelagem estão elevadas e por isso não atraiu nenhum interessado.
Depois dessas acusações, Leite aceitou participar da sessão da CPI dos Pedágios na próxima segunda-feira (8). O governador já tinha sido convidado outras vezes para comparecer na comissão, porém, recusou os pedidos.