A Fitch elevou a previsão para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil neste ano, após o forte desempenho da economia no primeiro trimestre. Contudo, a agência de classificação de risco ponderou que o menor impulso fiscal no próximo ano deve pesar sobre a atividade, segundo relatório trimestral de Perspectiva da Economia Global (GEO, em inglês), divulgado nesta quinta-feira (4).

O PIB do Brasil deve crescer 2,1% em 2026, antes de desacelerar para 1,7% em 2027 e se recuperar levemente para alta de 2% em 2028, estimou a Fitch. No relatório anterior, em março, a projeção era de avanço de 1,9% neste ano e 1,8% no próximo.

A agência observou que a taxa de desemprego em mínima histórica e ganhos salariais reais continuam a sustentar o consumo brasileiro, assim como a reforma tributária aprovada em 2025 e que reduziu impostos sobre a população de menor renda, equilibrando com aumento de imposto sobre famílias de renda mais elevada. O dinamismo dos setores de agricultura e extrativismo também apoiaram o crescimento, destacou.

Para 2027, o cenário da Fitch projeta menor impulso fiscal para a economia, considerando o fim do período eleitoral.

A agência apontou que as incertezas sobre a política doméstica em espera pelas eleições gerais de outubro, o fenômeno El Niño e o choque global de energia provocado pela guerra no Oriente Médio também contribuem para uma postura mais rígida do BC do Brasil.

“O IPCA-15 da metade de maio indica uma aceleração continuada dos preços e expectativas inflacionárias também subiram”, alertou.

A Fitch projetou que a inflação brasileira deve subir para 5% até o fim de 2026, quebrando a faixa de tolerância do BC, antes de retornar gradualmente para 4% em 2027.

Do mesmo modo, o BC do Brasil deve adotar ritmo mais gradual de cortes na taxa Selic. Segundo a Fitch, os juros devem cair para 13% até o fim de 2026, comparado aos 12% previstos anteriormente, e para 10,5% em 2027 – projeção inalterada em relação a março.

A eventual flexibilização monetária no Brasil e o diferencial de juros com o Federal Reserve (Fed), dos EUA, deve pressionar o real a um enfraquecimento gradual contra o dólar, considerando ainda preocupações com o lado fiscal.



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