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A Polícia Civil de Limeira (SP) investiga indícios de ocultação de provas no inquérito que apura a morte de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, ocorrida no último sábado (13).

Uma testemunha presencial relatou às autoridades ter visto um funcionário da empresa Entre Cordas retirar uma câmera GoPro que estava acoplada ao corpo da jovem logo após a queda de aproximadamente 40 metros na Ponte do Esqueleto.

O equipamento, que capturava as imagens do salto, não foi localizado pela polícia.

Relato de testemunha e sumiço de provas

De acordo com o depoimento da testemunha, que era um cliente que aguardava para saltar, o dispositivo foi removido antes da chegada do socorro. Os investigadores consideram o desaparecimento da câmera um fator crítico, pois o vídeo poderia detalhar as falhas nos protocolos de segurança.

Além do sumiço do equipamento, o boletim de ocorrência registra que instrutores tentaram deixar o local e trocaram de roupa após o acidente, permanecendo em silêncio quando questionados sobre a motivação da troca.

Análise jurídica: fraude e obstrução

A prática de remover a câmera do local do acidente possui implicações criminais diretas.

Segundo a advogada criminalista Ana Krasovic, a retirada do objeto “poderia se encaixar no crime de fraude processual, que seria a alteração da realidade física para enganar a atividade jurisdicional ou pericial”.

Por outro lado, a exclusão imediata do perfil no Instagram e do grupo de WhatsApp da empresa, embora tenha gerado críticas de clientes e familiares, possui interpretação jurídica distinta.

“Não pode ser interpretada como conduta criminosa, nem justificar qualquer responsabilização em qualquer seara do direito”, explica Krasovic sobre essa ação específica.

Para Beatriz Alaia Colin, especialista em Direito Penal, a investigação deve focar em verificar se os responsáveis criaram, fiscalizaram e exigiram o cumprimento de protocolos de segurança capazes de evitar acidentes.

“Nesses casos, a Justiça costuma se apoiar em perícias, protocolos amplamente aceitos pela comunidade técnica, cursos de especialização, experiência prática e normas gerais de segurança aplicáveis a atividades de risco”, afirma.

Testemunha filmou e tentou ajudar

Uma enfermeira que presenciou o acidente fatal de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), prestou depoimento à Polícia Civil detalhando o ocorrido no último sábado. Ela registrou em vídeo o momento em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, foi lançada.

Morte em salto de rope jump em SP: veja o que disseram instrutores presos

Após a queda de aproximadamente 40 metros, a testemunha desceu até a base da ponte e realizou manobras de reanimação na tentativa de salvar a vítima.

O registro do acidente e o socorro

A mulher relatou que estava no local para realizar seu próprio salto e começou a filmar Maria Eduarda para enviar as imagens a uma tia. No depoimento, a enfermeira explicou que, no momento do arremesso, estava focada na gravação e não percebeu imediatamente a ausência do equipamento.

Ela só notou a gravidade da situação quando ouviu gritos de outras pessoas e o barulho do impacto. O vídeo, entregue às autoridades, mostra o momento em que três instrutores erguem a jovem e a lançam em queda livre.

Ao constatar o acidente, ela identificou-se como profissional de saúde e solicitou ajuda para descer até a margem do rio onde a vítima estava caída.

“Eu comecei a gritar que era enfermeira para me levarem para baixo”, afirmou em sua oitiva.

Segundo o relato, Maria Eduarda ainda apresentava sinais vitais mínimos ao ser encontrada, mas entrou em óbito por politraumatismo antes da chegada do SAMU.

A dinâmica do acidente

A investigação aponta que Maria Eduarda realizaria o primeiro salto da modalidade “aviãozinho” do dia, na qual o praticante é erguido e lançado pelos instrutores.

A delegada responsável pelo caso considerou que os envolvidos assumiram o risco de produzir a morte ao não adotarem cautelas indispensáveis em uma atividade de alto risco.

A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, fundamentada na periculosidade da conduta e na necessidade de garantir a ordem pública.

O caso segue sob investigação da Delegacia Seccional de Limeira.



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