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A expectativa pela decisão do Copom sobre os juros foi, em parte, atendida pelos diretores do Banco Central.

A redução da taxa Selic para 14,25% confirmou a previsão da maioria do mercado, mas a sinalização sobre os próximos passos gerou dúvida.

Não há uma seta apontando nem o tamanho, nem mesmo se haverá outra chance para uma nova redução dos juros. Tudo vai depender do que acontecer até o início de agosto, na próxima reunião do Comitê. Se está difícil prever o que será da próxima semana, imagine em 45 dias.

Mesmo diante de tamanha incerteza, uma leitura mais atenciosa do comunicado é capaz de notar o desejo que BC tem de continuar reduzindo a taxa, confirmando que ela é muito alta, já provocou efeitos na economia, mas…

O “mas” do Copom desta quarta-feira (17) deu um peso muito maior ao que se passa no Brasil, notadamente o que o governo está fazendo com a economia, do que aos efeitos da guerra no Oriente Médio.

No chamado balanço de riscos traçado pelo colegiado, aumentou para quatro a quantidade de eventos que provocam alta da inflação.

O quarto motivo, em especial, diz que “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”.

Em português isso quer dizer que as bondades de Lula que estimulam o consumo, aceleram a atividade além da sua capacidade e reduz o efeito da taxa de juros na economia, podem impedir que Copom siga cortando os juros.

Os diretores do comitê também fizeram uma escolha que preocupou alguns economistas. O BC resolveu esticar o tempo de convergência da inflação à meta para o inicio de 2028, antecipando um movimento que seria adotado só a partir de agosto.

O chamado horizonte relevante para efeito total dos juros na economia seria o final de 2027. E ao fazer isso, o Copom afirma que as projeções para inflação ficariam até abaixo dos 3% da meta, mas não revela a previsão, como faz para 2026 e 2027.

Alguns economistas ouvidos pelo blog se preocupam com o que consideram uma “dose de mistério” desnecessária neste momento.

Essa estratégia, que parece mais suave do que o cenário de piora para inflação traçado pelo Copom, revela que o BC não quer provocar uma recessão na economia, ou uma parada muito brusca para alcançar os 3%.

É uma aposta, que depende de muitos fatores, e que mantém o país mais longe de alcançar o objetivo estabelecido para inflação brasileira.

Diante de todo esse cenário, presidente do BC, Gabriel Galipolo, o “menino de ouro” do presidente da República, dá um banho de realismo ao cenário cor-de-rosa que o governo pinta para o eleitor.

E o BC segue solitário na missão de evitar que a economia descarrilhe de vez com a irresponsabilidade eleitoral do Planalto e do Congresso Nacional, que faz questão de dar uma contribuição ao desequilíbrio.

O Brasil tem a maior taxa de juro real do mundo, segundo a Lev Intelligence e da MoneYou, de 9,67% ao ano, à frente de Rússia e Turquia.

Não é à toa, há um esforço concentrado para que o país estacione nessa posição absolutamente custosa, e, porque não, vexaminosa.



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