O acordo provisório assinado pelos Estados Unidos e pelo Irã, na quarta-feira (17), estabelece os termos do cessar-fogo entre os países rivais, a reabertura do Estreito de Ormuz, algum alívio financeiro para Teerã e uma reafirmação de que os iranianos jamais produzirão uma arma nuclear.
Apesar do avanço, o documento enfrenta um cenário de incerteza e precisa superar três obstáculos que testam a viabilidade da cooperação entre Washington e Teerã.
O primeiro deles é a falta de confiança entre as duas nações. O histórico de hostilidades fez o texto do acordo ser redigido de forma genérica, para permitir a aceitação dos dois lados, sendo também uma tentativa de criar alguma credibilidade para que cada parte cumpra os compromissos do acordo.
Em segundo lugar, a questão do programa nuclear iraniano permanece incerta. O que será feito com o estoque de urânio enriquecido pelo Irã — fator que desencadeou o conflito — ainda não foi definido.
O acordo estabelece um período de 60 dias para que as negociações cheguem a uma decisão sobre o material nuclear.
Por último, está a instabilidade regional no Líbano. Teerã exige que o acordo firmado com os EUA se estenda ao país, exigindo os fins dos ataques de Israel contra o grupo radical Hezbollah.
O governo israelense mantém duras críticas ao documento, alegando que suas preocupações de segurança não foram consideradas. Israel também afirma que continuará no sul do Líbano.
Início das conversas
As negociações iniciais entre os Estados Unidos e o Irã ainda devem ocorrer na Suíça na sexta-feira (19), informou o Ministério das Relações Exteriores do país, após a assinatura do acordo.
“Até o momento, o plano continua sendo que os EUA e o Irã, juntamente com os mediadores Paquistão e Catar e outros países envolvidos, se encontrem amanhã em Bürgenstock para as negociações iniciais sobre a implementação do acordo”, afirmou o ministério em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (18), segundo a agência de notícias Reuters.
O ministério informou à CNN na quarta-feira (17) que a cerimônia de assinatura ocorrerá no resort com vista para o Lago Lucerna, e não em Genebra, como planejado inicialmente.