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A baixa produtividade é um desafio crônico da economia brasileira — e os dados mais recentes confirmam que o quadro ainda não dá sinais de melhora. Um levantamento do FGV Ibre aponta queda de 0,5% na produtividade por horas trabalhadas no primeiro trimestre do ano, reforçando uma tendência que já preocupa há décadas.

A competitividade de uma nação vai além dos números: ela expressa a qualidade do ambiente institucional, econômico e estrutural que sustenta — ou limita — a capacidade produtiva e a eficiência do setor privado. Para Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV-EESP, um dos canais para o aumento da produtividade e da competitividade do país é a força de trabalho, ou seja, a mão de obra qualificada.

“Vemos quadro já de três décadas com o agronegócio apresentando crescimento da produtividade, enquanto indústria e serviços seguem estagnados. Tudo isso se sobrepõem ao desempenho do agro e o total é o quadro apontado pelo Ibre.”

Carlos Honorato, da FIA Business School, disse à CNN que os gargalos que comprometem a competitividade brasileira estão presentes em múltiplas frentes.

“A gente tem uma dificuldade básica na questão da produtividade, que é a formação completa no sentido das pessoas terem um bom conhecimento de matemática, de português, de linguagem, desde a formação básica até a formação profissional”, explicou.

Agro avança, indústria e serviços ficam para trás

Observando o desempenho dos principais setores, o quadro revela uma divisão persistente. Para Tatiana, o problema não é novo: “Vemos um quadro já de três décadas com o agronegócio apresentando crescimento da produtividade, enquanto indústria e serviços seguem estagnados. Tudo isso se sobrepõe ao desempenho do agro e o total é o quadro apontado pelo Ibre.”

Segundo ela, esse desequilíbrio é ainda maior quando se considera que o setor de serviços tem maior peso no PIB — o que faz com que a estagnação do setor arraste o desempenho geral da economia.

Juros altos, informalidade e outros entraves à produtividade

A pesquisadora da FGV-EESP destaca ainda que como a taxa básica de juros segue elevada pelo Banco Central, no patamar de 14,25% ao ano, o investimento produtivo é menos incentivado no país. Segundo ela, a ligação também é direta entre custos, produtividade e o debate sobre o fim da escala 6×1.

“O plano deveria ser mais debatido, isso porque o assunto precisa ser endereçado e quanto mais consenso melhor.”

Nessa mesma linha, o professor da FIA Business School citou a alta informalidade no mercado de trabalho brasileiro como um fator que dificulta a incorporação de mão de obra qualificada e a melhoria da capacidade produtiva, mesmo em setores com indústria de ponta. Obstáculos como logística e carga tributária também foram mencionados como barreiras que limitam o desempenho produtivo do país.

Brasil cai no ranking enquanto outros países avançam

O reflexo disso aparece também no cenário competitivo global: o Brasil perdeu sete posições no ranking internacional de competitividade e agora ocupa o 65º lugar entre 70 economias avaliadas — o resultado mais fraco dos últimos anos. O estudo é de 2026 e foi desenvolvido pelo IMD World Competitiveness Center em conjunto com a Fundação Dom Cabral.

Ao analisar os países no topo do ranking — Singapura, Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos —, Carlos Honorato destacou a visão estratégica de longo prazo como diferencial. Ele observou que países como Suíça e Taiwan apostam fortemente em processos sólidos e na formação de pessoas com alta qualificação.

Segundo Tatiana Ribeiro, os destaques considerados pelo ranking foram o custo de capital, fragilidade institucional e a qualidade da mão de obra. “O grande ponto da queda é a força de trabalho.”



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