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O Estreito de Ormuz voltou a ser declarado fechado pelo Irã no sábado (20), mas a realidade é que o tráfego de embarcações pelo canal já havia recuado significativamente antes mesmo do anúncio.

Segundo dados da empresa de inteligência marítima Kpler, apenas 25 navios atravessaram o canal na quinta-feira (18) — o maior número desde meados de abril, quando o Irã abriu brevemente o Estreito ao tráfego comercial.

Na sexta-feira (19), após o cancelamento da primeira rodada de negociações entre Irã e Estados Unidos sobre os detalhes de seu acordo, o número de petroleiros caiu para um único dígito.

O analista-chefe de petróleo da Kpler, Matt Smith, explicou à CNN que o volume ainda está muito abaixo do normal. “Não é como se você estivesse vendo de repente um êxodo em massa”, disse Smith.

“Você está vendo um aumento no tráfego… mas não é material. Ainda não chegamos ao ponto em que um “primeiro a se mover” está surgindo.” Antes da guerra, entre 100 e 120 petroleiros cruzavam diariamente a passagem entre o Irã e Omã.

Cerca de 500 navios, incluindo 220 petroleiros, permanecem retidos no Golfo Pérsico desde o início do conflito. Apesar de Irã e Estados Unidos terem assinado um acordo para encerrar os combates, especialistas concordam que levará meses para que o tráfego de navios e os fluxos de petróleo voltem ao normal.

Smith estima que serão necessárias semanas para que os aproximadamente 120 petroleiros carregados de petróleo no Golfo consigam sair, e ainda mais tempo para que os 100 petroleiros vazios sejam abastecidos e partam.

A incerteza sobre rotas seguras e procedimentos de passagem é outro fator que trava o movimento. Jakob Larsen, diretor de segurança do BIMCO (Baltic and International Maritime Council), afirmou em nota à CNN que “apesar da assinatura do acordo de cessar-fogo, acreditamos que a situação de segurança para a indústria de transporte marítimo permanece volátil”.

Ele acrescentou que “a parte central do Estreito de Ormuz está minada e intransitável, e apenas as zonas de tráfego costeiro próximas a Omã e ao Irã estão supostamente livres de minas”. Congestionamentos e incidentes de navegação nessa área costeira também tornam a passagem arriscada.

Estima-se que 20 mil tripulantes ainda estejam presos em navios no Golfo Pérsico. Ben Bailey, diretor de programas da Mission to Seafarers, organização de apoio a marinheiros, descreveu o sentimento a bordo como “um tipo de otimismo cauteloso”, com marinheiros ansiosos para partir, mas apreensivos quanto à segurança.

Para os armadores, há ainda a questão dos seguros marítimos. As seguradoras retiraram a cobertura de risco de guerra nos primeiros dias do conflito e ainda não a restabeleceram para a maioria dos clientes.

“Não foi apenas o Irã que fechou o Estreito de Ormuz, foram a Lloyd’s de Londres e empresas similares”, afirmou Tom Kloza, analista independente de petróleo e consultor da Gulf Oil.

A Lloyd’s Market Association também apontou questões práticas, como a condição de navegabilidade dos navios após mais de três meses ancorados e a disponibilidade de combustível e suprimentos.

Bailey lembrou ainda da necessidade de remover cracas acumuladas nos cascos durante os meses de ancoragem. “Não é simplesmente dizer que o sinal agora está verde. Todo mundo pode ligar os motores e partir”, disse.

Mesmo que os navios partam imediatamente, a produção de petróleo no Golfo Pérsico não voltará ao normal de forma rápida. Grande parte da produção e do refino na região foi interrompida no início da guerra, e a retomada será gradual.

Novos petroleiros precisarão retornar ao Golfo para buscar novos carregamentos — e os armadores não querem correr o risco de ficar presos novamente por meses. “Não sabemos a resposta para isso”, disse Kloza. “Talvez seja visto como um trecho seguro de água, mas acho que temos um longo caminho a percorrer até chegarmos lá.”



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