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O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), prévia da inflação que será divulgada nesta quinta-feira (25), deve apresentar uma desaceleração em relação ao avanço de 0,62% do mês anterior, com alta que deve ficar entre 0,41% e 0,55%, de acordo com especialistas consultados pelo CNN Money.

Segundo projeções, os vilões do mês devem ser o grupo de alimentação no domicílio, com expectativa de alta de 1,35%, aponta o economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz, mantendo o índice elevado apesar de uma leve desaceleração frente a maio.

Outro ponto de atenção é o grupo de habitação, com projeção de alta de 0,91%, também contribuindo para manter a inflação em patamar de alta, apesar da desaceleração.

Entretanto, ainda não se pode dizer que o recuo do petróleo aliviou a inflação no Brasil.

Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda pelo terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira (24), diante de sinais de normalização do fluxo no Estreito de Ormuz e avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã após a assinatura do memorando de entendimento.

Negociado na Nymex (New York Mercantile Exchange), o petróleo WTI (West Texas Intermediate) para agosto fechou em queda de 3,92% (US$ 2,87), a US$ 70,34 o barril, operando abaixo dos US$ 70 na mínima intradia.

Já a referência internacional, o petróleo Brent para setembro, negociado na ICE (Intercontinental Exchange de Londres), encerrou em baixa de 3,81% (US$ 2,93), a US$ 73,87 o barril.

Olhando para o preço dos combustíveis, o etanol deve ser o principal vetor de queda, com recuo projetado em -5,91% devido ao período de safra. Enquanto isso, a gasolina deve apresentar estabilidade ou leve queda, de modo que o grupo de transportes como um todo deve ser menos negativo do que no mês anterior.

Porém, os especialistas apontam que o IPCA-15 de junho ainda deve refletir os efeitos negativos de altas anteriores, e qualquer alívio vindo da queda internacional dos preços só deve ser sentido em índices futuros.

Adriano Birle, economista responsável pelas análises de combustíveis e resinas plásticas da GEP Brasil, reafirma que junho ainda vai ter impacto do aumento do petróleo e da guerra, com estabilidade no preço da gasolina, e uma queda do etanol.

Por outro lado, ele aponta que o impacto indireto do aumento do diesel ainda deve seguir pelos próximos meses.

“O preço do diesel parou de subir, mas ele está ainda ali significativamente acima do que ele estava no mês de fevereiro, por exemplo. E esse aumento do diesel, ele tem um impacto de mais médio prazo no IPCA por meio do repasse para os custos de frete, então ele ainda vai ser absorvido no IPCA, e a gente espera que siga tendo impacto nos próximos meses, mas aí seria mais sobre os preços de alimentos e bens de consumo, principalmente”, explica.

Já Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, reforça que, caso ocorra algum alívio do Brent no preço dos combustíveis, será mais na frente.

“E precisamos lembrar que o governo tomou diversas medidas para evitar a elevação dos preços dos combustíveis na bomba“, explica.

“Assim, se os preços não subiram por causa dessa intervenção quando o preço subiu, não deveríamos ter grandes expectativas de quedas de preços agora que os preços internacionais dos combustíveis estão caindo”, conclui.



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