O Brasil planeja captar até 5 bilhões de iuans (US$ 735 milhões) com sua primeira emissão de títulos denominados na moeda chinesa, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, à Reuters nesta quinta-feira (25). A captação deve ser a maior estreia de dívida denominada em iuan por uma nação estrangeira na China.
O país se tornará o quinto emissor soberano em 12 meses a acessar o mercado de dívida doméstica da China, sendo a medida vista como um “teste” para ajudar empresas privadas brasileiras a consolidarem sua presença no país, disse Durigan.
O tamanho da emissão não havia sido divulgado anteriormente.
Embora ainda em fase inicial, os chamados títulos panda são uma parte fundamental do esforço de Pequim para internacionalizar o yuan – que ainda enfrenta rígidos controles de capital e regulamentação – e oferecem aos mercados emergentes uma maneira de baixo risco e baixo custo de sinalizar abertura política a alternativas ao sistema financeiro global dominado pelo dólar.
“Precisamos testar e começar a traçar a trajetória da dívida soberana do Brasil na China”, disse Durigan em entrevista após uma reunião com o presidente do Banco Central da China, Pan Gongsheng, em Pequim, para finalizar o plano. Ele afirmou esperar que os títulos sejam emitidos nos próximos dois ou três meses.
“Captamos 5 bilhões de euros na Europa. Ainda não definimos o valor aqui na China para a primeira emissão, mas também será de até 5 bilhões”, acrescentou, embora estivesse se referindo ao yuan.
Empresas brasileiras pediram ao governo que começasse a emitir títulos denominados em yuan para ajudá-las a captar recursos por meio de operações privadas com panda bonds e para atenuar a volatilidade cambial no Brasil , disse Durigan.
“A rentabilidade dos projetos (no Brasil) é muito boa, mas a volatilidade das taxas do ( real brasileiro ) pode afetar o resultado final, por isso estamos fornecendo um recurso de hedge cambial para esses investimentos”, acrescentou.